KYIV—A Ucrânia enfrenta um momento crítico em suas forças armadas, agravado pela guerra com a Rússia desde fevereiro de 2022. Recentemente, o governo de Volodymyr Zelensky apresentou duas medidas polêmicas que geraram protestos e levantaram preocupações sobre a eficácia do recrutamento militar.
A primeira proposta, que previa penas severas para insubordinação militar, foi amplamente criticada. O projeto de lei sugeria penas de cinco a dez anos de prisão para ausência sem licença e até 12 anos para desertores, sem possibilidade de anistia para quem retornasse. A medida, apoiada pelo Ministério da Defesa e pelo partido de Zelensky, Servant of the People, foi retirada após manifestações em massa em Kyiv, onde cidadãos expressaram que a disciplina militar não deve ser baseada em punições severas.
A segunda medida, anunciada em agosto, permitiu que homens entre 18 e 22 anos viajassem para o exterior, uma mudança significativa em relação à proibição anterior imposta pela lei marcial. Essa decisão, que visava atrair jovens para permanecer no país, foi recebida com ceticismo. Muitos temem que essa flexibilização leve a uma fuga em massa de jovens, comprometendo o futuro das forças armadas ucranianas.
A insatisfação popular com as decisões do governo reflete uma desconexão entre Zelensky e a realidade vivida pela população. Especialistas sugerem que o presidente precisa de novos conselheiros que compreendam melhor as necessidades e preocupações dos cidadãos. A confiança nas instituições políticas permanece baixa, apesar do apoio contínuo a Zelensky, que ainda mantém uma aprovação de cerca de dois terços entre os ucranianos.
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