Na quarta-feira, 8 de outubro, uma nova solenidade em São Paulo entregou certidões de óbito retificadas para mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar. Essa segunda leva de documentos corrige informações de pelo menos cem vítimas da repressão estatal, incluindo casos emblemáticos como o de Carlos Marighella e Vladimir Herzog. As certidões agora registram as causas das mortes como “não naturais, violentas, causadas pelo Estado brasileiro”.
Entre os casos notáveis, está a tripla execução de Lauriberto José Reyes, Alexander José Ibsen Voeroes e Napoleão Felipe Biscaldi, ocorrida em 27 de fevereiro de 1972. A versão oficial da época indicava que os militantes teriam morrido em confronto armado. No entanto, testemunhas afirmam que foram executados por agentes do DOI-Codi em um ataque violento.
Adalberto Barreiro, que presenciou a cena, relatou que Reyes, ao tentar escapar, foi alvejado enquanto tentava correr. A narrativa de Barreiro contrasta com os laudos do Instituto Médico Legal, que classificavam as vítimas como “terroristas”, um código utilizado pelos órgãos de repressão. A Comissão da Verdade do Estado de São Paulo reavaliou o caso e concluiu que as mortes foram, de fato, execuções.
Reparação Histórica
A entrega das certidões representa um passo importante na reparação histórica e no reconhecimento das violências cometidas pelo Estado. As novas informações, fruto de investigações da Comissão da Verdade, visam corrigir a narrativa oficial que, por décadas, ocultou a verdade sobre os crimes da ditadura. O caso de Reyes e Voeroes, que também estavam ligados à Ação Libertadora Nacional, é um exemplo claro da necessidade de justiça e reconhecimento das vítimas.
A luta por memória e verdade continua, com a esperança de que as novas certidões sirvam como um marco na busca por justiça e reparação para as famílias afetadas pela repressão política.
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