A Justiça Eleitoral do Piauí cassou o diploma da prefeita de Jurema, Kaylanne Oliveira (MDB), e de sua vice, Ludmilla Barreto (MDB), devido a um esquema de falsificação de cartões de vacinação. A decisão, proferida em 13 de outubro de 2025, é resultado de uma ação do PT, que alegou que a prefeita utilizou documentos falsos para transferir o domicílio eleitoral de eleitores de outras cidades, o que influenciou diretamente sua vitória nas eleições de 2024, onde foi eleita com apenas 57 votos de diferença.
O juiz responsável pela sentença destacou que a magnitude das fraudes foi decisiva para o resultado da eleição, evidenciando uma operação complexa e sistemática. A investigação revelou que a Secretaria Municipal de Saúde, chefiada por Aurizorlan Dias de Oliveira, pai da prefeita, estava envolvida na emissão de cartões falsos que comprovavam vacinação contra a influenza em março de 2024. Esses documentos foram usados para justificar a transferência de domicílio eleitoral.
Detalhes da Fraude
O esquema foi considerado altamente organizado, com cartões emitidos em um único dia, 10 de março de 2024, quando a Unidade Básica de Saúde não funcionava. A maioria dos novos eleitores transferidos era de Anísio de Abreu, e os documentos apresentados não comprovavam vínculos legítimos com Jurema. O juiz afirmou que a inserção de mais de uma centena de eleitores fraudulentos poderia alterar o resultado das eleições em um município com 5.407 eleitores aptos.
Além da cassação, Kaylanne Oliveira e o ex-secretário de Saúde foram declarados inelegíveis por oito anos. A vice-prefeita não recebeu a mesma punição por falta de provas de sua participação direta. Kaylanne foi multada em R$ 80 mil, enquanto seu pai e uma técnica de enfermagem receberam multas de R$ 50 mil e R$ 10 mil, respectivamente.
A decisão ainda pode ser contestada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), e, caso confirmada, uma nova eleição poderá ser convocada para Jurema. A defesa de Kaylanne nega as acusações, alegando que não há provas que a vinculem ao esquema.
Entre na conversa da comunidade