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PSOL propõe taxar grandes fortunas; decisão depende do STF

STF retoma julgamento sobre imposto sobre grandes fortunas; Senado e Câmara defendem autonomia legislativa, analistas alertam sobre uso político do Judiciário

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, que pautou a ação do Psol: partido quer que Corte obrigue Congresso a criar imposto sobre grandes fortunas. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
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O PSOL ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019, questionando a falta de regulamentação do imposto sobre grandes fortunas (IGF). O partido argumenta que o Congresso descumpriu a Constituição ao não criar uma lei complementar sobre o tema, conforme estipulado no artigo 153, inciso VII da Constituição Federal. O julgamento da ADO 55 foi retomado pelo STF, que analisa a possibilidade de obrigar o Legislativo a legislar sobre a questão.

O relator original, o ministro Marco Aurélio Mello, votou pela omissão legislativa em 2021, mas a análise foi interrompida. O tema voltou à pauta sob a presidência do ministro Edson Fachin. O Senado e a Câmara, por sua vez, defendem a autonomia legislativa e afirmam que o Congresso não está inerte, citando a existência de projetos sobre o IGF que ainda não foram aprovados.

Riscos Institucionais

Analistas alertam para os riscos de um uso político do Judiciário. Segundo Paolo Stelati, especialista em Direito Tributário, a judicialização de questões políticas pode criar precedentes perigosos. A advogada Fernanda Terra também ressalta que o ativismo judicial do STF pode tensionar a relação entre os Poderes. A Procuradoria-Geral da República já se manifestou contra a obrigatoriedade de criação do tributo, argumentando que a regulamentação é uma opção e não um dever constitucional.

A discussão sobre o IGF envolve também questões de justiça fiscal e desigualdade. Defensores do imposto afirmam que ele poderia contribuir para a redução das disparidades sociais. Contudo, críticos destacam a complexidade do tema e os possíveis efeitos negativos na economia, como a evasão fiscal de indivíduos com alto poder aquisitivo.

Contexto Histórico

O debate sobre a regulamentação do IGF não é recente. Em 2015, uma ação similar foi proposta pelo então governador do Maranhão, Flávio Dino, mas não chegou a ser discutida. O atual julgamento pode ser decisivo para a definição do futuro do imposto e suas implicações para a arrecadação e a justiça social no Brasil. O STF poderá determinar que o Congresso avalie a questão, mas isso não garante a aprovação do tributo.

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