O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou nesta terça-feira (4) que o modelo de combate ao crime utilizado em El Salvador é incompatível com a Constituição brasileira. Vieira criticou a adoção de medidas drásticas, como prisões em massa e megapresídios, que têm sido discutidas após operações policiais no Rio de Janeiro.
Durante entrevista à GloboNews, o senador destacou que soluções mirabolantes são apenas “pirotecnia para fins eleitorais”. Ele enfatizou a necessidade de respostas inteligentes e duradouras para enfrentar a infiltração do crime organizado em diversas esferas, incluindo política e Justiça. Vieira alertou que, no Brasil, 20% da população vive sob domínio do crime, exigindo uma abordagem mais eficaz.
Críticas ao modelo salvadorenho
O modelo salvadorenho, que conseguiu reduzir a taxa de homicídios de 106 para 1,9 por 100 mil habitantes em três anos, foi criticado por Vieira. Ele afirmou que, apesar dos resultados, essa abordagem não se aplica ao contexto brasileiro. “Se ela é incompatível, do que me adianta conhecê-la?”, questionou.
O senador também abordou a questão da corrupção que facilita o avanço das facções. Para ele, o crime organizado não se limita a ações nas favelas, mas se infiltra em todos os níveis da sociedade. Vieira mencionou a movimentação de drogas e armamentos no Rio, indicando uma cadeia de tolerância e convivência com o crime por décadas.
Perspectivas da CPI
Vieira, que foi delegado da Polícia Civil de Sergipe, acredita que a CPI do Crime Organizado tem o potencial de revelar essa realidade e mobilizar a sociedade. Ele reiterou a importância de soluções que realmente funcionem, em vez de propostas superficiais que não resolvem o problema da violência no país.
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