O ex-primeiro-ministro angolano Marcolino Moco criticou a atual situação política de Angola, considerando um paradoxo a luta pela independência, que visava acabar com os horrores da PIDE, e a realidade atual, onde a governança é falha e a centralização de poder é evidente. Em uma análise sobre os 50 anos de independência, Moco destacou que o país enfrenta problemas estruturais sem uma solução à vista, especialmente em um momento em que as festividades estão sendo celebradas.
Moco, que foi secretário-geral do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), afirmou que a euforia das comemorações está ofuscando a necessidade de reflexão sobre os desafios enfrentados desde 1975. “Estamos a fazer o pior e não discutimos isso”, lamentou em entrevista à Lusa, enfatizando que a política angolana ignora os problemas reais da população.
Críticas ao Regime
O ex-primeiro-ministro apontou que Angola, apesar de se autodenominar um Estado democrático e de direito, opera como um Estado de partido único. Ele observou que, embora tenham ocorrido algumas reformas, como a aceitação do multipartidarismo após o Acordo de Bicesse, a situação atual é marcada por falta de transparência e prisões de consciência, especialmente entre os jovens.
Moco mencionou que os problemas históricos, que persistiram até 2002, continuam a se agravar. “Os tribunais estão desautorizados e a comunicação social é controlada”, afirmou, destacando que o sistema de inteligência serve aos interesses do governo, não do Estado.
Reflexão Necessária
Em relação aos objetivos da independência, Moco questionou se foram realmente alcançados. Ele observou que muitos jovens estão enfrentando condições piores do que as que existiam sob a PIDE, ressaltando que a luta pela liberdade não se traduziu em melhorias significativas. “Os prisioneiros de consciência estão sofrendo mais do que antes”, concluiu, enfatizando a urgência de uma mudança real e efetiva no país.
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