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Crise entre Lula e Hugo Motta leva Câmara a recuar em pontos da lei antifacção

Motta sinaliza mudanças no relatório do Projeto de Lei Antifacção, preserva a autonomia da Polícia Federal e retira facções; votação pode ocorrer ainda hoje

Lula ligou para o presidente da Câmara, Hugo Motta, reclamando da escolha do relator do projeto antifacção (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
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A tensão entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta, se intensificou com a nomeação de Guilherme Derrite como relator do projeto de lei antifacção. A escolha gerou descontentamento no Palácio do Planalto, que considera a medida uma ameaça à autonomia da Polícia Federal (PF) e à soberania do Brasil. Na última terça-feira, Motta se reuniu com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e sinalizou mudanças no relatório de Derrite, que deverá ser votado ainda hoje.

A pressão do governo resultou em alterações significativas no texto, que agora mantém a autonomia da PF e retira a classificação das facções como grupos terroristas. Motta afirmou que a Câmara não permitirá que a PF perca suas prerrogativas, ressaltando que a segurança pública deve ser uma pauta suprapartidária. O ministro Lewandowski também criticou a proposta inicial, que condicionava a atuação da PF a comunicações prévias com autoridades estaduais.

Mudanças no Relatório

Após a reunião, Derrite apresentou uma nova versão de seu relatório, que visa atender às demandas do governo, buscando um consenso entre os líderes da Câmara. O presidente da Câmara indicou que a votação poderia ocorrer ainda nesta quarta-feira, apesar da maioria dos parlamentares estar fora de Brasília devido à Conferência do Clima de Belém, a COP 30.

A escolha de Derrite como relator foi interpretada como uma derrota política para o governo, especialmente porque ele é visto como alinhado à direita e próximo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A decisão provocou reações negativas entre os aliados de Lula, que consideram a indicação uma provocação. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, expressou que a escolha de Derrite está contaminada por questões políticas.

Críticas e Desdobramentos

A crise em torno do projeto antifacção ocorre em um contexto de avaliação negativa do governo na área de segurança pública. Um levantamento recente indicou que 45,8% dos brasileiros acreditam que a segurança piorou sob a atual gestão. Especialistas alertam que o controle das facções criminosas se expandiu pelo país, com 15% dos municípios relatando conflitos entre grupos em 2023.

A situação exige atenção do governo, que enfrenta um desafio significativo para melhorar a percepção da segurança pública entre a população. O desfecho da votação do projeto antifacção poderá impactar não apenas a relação entre o governo e o Legislativo, mas também a estratégia política para os próximos anos.

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