Mário Kertész, ex-prefeito de Salvador, lançou sua autobiografia intitulada *Riso—Choro*, que traça um panorama da política brasileira e da cidade que governou. Em entrevista à revista CartaCapital, ele destacou a singularidade de Salvador e criticou a abordagem dos atuais gestores, que, segundo ele, se limitam a ações de zeladoria. Kertész, que conquistou mais de 61% dos votos em sua carreira, foi chamado de “prefeito biônico” em 1979 após romper com seu padrinho político, Antônio Carlos Magalhães.
O ex-prefeito defende que Salvador deve ser tratada como uma cidade especial, ressaltando que os líderes atuais não compreendem suas características únicas. Ele afirmou que as iniciativas se restringem a tapar buracos e permitir a expansão imobiliária, sem priorizar um verdadeiro desenvolvimento cultural. “As coisas ficam mais naquela zeladoria”, disse Kertész, mencionando a necessidade de um ressurgimento cultural na cidade.
Legado Cultural
Kertész recordou figuras históricas como Gilberto Gil e Antônio Risério, que, segundo ele, viam Salvador com a atenção que a cidade merece. Para ele, essa visão cultural está ausente atualmente. “Isso hoje não existe”, lamentou, enfatizando a importância de um olhar mais profundo sobre a cultura local. O ex-prefeito também refletiu sobre sua trajetória política, lembrando dos desafios enfrentados ao romper com ACM, que, segundo ele, não perdoou essa decisão.
A autobiografia de Kertész não apenas narra sua vida política, mas também serve como um espelho para as mudanças sociais e culturais que Salvador vivenciou ao longo das décadas. Ele espera que sua obra inspire uma nova geração a valorizar e revitalizar a rica cultura baiana.
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