Estátuas de Jesus, Maria e José ganham leitura política no Inland de Chicago. Em Evanston, displays substituem a cena tradicional por uma narrativa contemporânea: Jesus amarrado em uma manta térmica, com pulso algemado, Maria com máscara de gás e soldados romanos com coletes marcados ICE. Em outra igreja, a Urban Village, surge a mensagem de que a Sagrada Família está “em segredo” devido à atividade da ICE. A liderança da igreja mantém a defesa da mensagem e as críticas chegam de autoridades e da ICE.
Os organizadores dizem que a releitura busca ampliar o debate sobre imigração e políticas de fronteira. Segundo a imprensa local, a montagem em Lake Street, de uma igreja batista, apresenta Jesus na manjedoura envolto num cobertor de emergência, com as mãos atadas, ao lado de Maria usando máscara de gás e figuras de soldados com coletes da ICE. A intervenção provocou reações de setores oficiais e de defesa da agência.
Em Chicago, a Urban Village Church exibe um aviso: devido à atividade da ICE na comunidade, a Sagrada Família está escondida. A instalação não mostra o presépio tradicional, apenas o letreiro que chama a atenção para a presença de autoridades migratórias na região. A igreja afirma manter a mensagem como forma de denunciar impactos das políticas migratórias.
A história natalina recente é parte de uma série de encenações políticas realizadas pela St Susanna e por outras comunidades desde 2019. Anteriormente, cenas com Jesus em uma jaula já traduziram a separação de famílias na fronteira durante a gestão Trump, e outras peças destacaram Gaza e poluição plástica.
A igreja de Evanston relata danos a elementos da montagem: o boneco de José caiu durante uma tempestade e não foi restaurado. O grupo afirma que a peça envolve reflexão sobre vulnerabilidade de famílias imigrantes e o impacto de políticas de deportação na vida cotidiana, incluindo trabalho e moradia.
A direção das congregações que promovem as encenações sustenta que a arte pública serve para dialogar sobre temas sociais. Críticos afirmam que a abordagem pode desorientar o público, mas as autoridades religiosas defendem o debate informado. A cobertura é baseada na apuração da Associated Press.
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