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O marketing da justiça social: estratégias em debate

Entrevista analisa como o antirracismo corporativo sustenta elites, discute pré-distribuição, redistribuição e o reposicionamento de DEI/ESG no pós‑woke

Passo atrás. Para a autora, o movimento woke teve seu auge após o assassinato de George Floyd, em 2020 – Imagem: Redes Sociais e Bryan R. Smith/AFP
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Jennifer C. Pan, autora de Selling Social Justice, concedeu entrevista em que compara as dinâmicas entre EUA e Brasil no âmbito de políticas de diversidade e justiça social. O foco é a distribuição de oportunidades, o papel das empresas e o impacto de estratégias de DEI/ESG. A conversa aborda também o que chama de pós-woke e o reposicionamento de marcas.

A autora vive em Los Angeles e já publicou em The Nation, The Atlantic, Dissent e Damage. Em suas obras, analisa como elites resistem a reformas materiais e promovem narrativas de diversidade para manter o poder corporativo. O livro questiona se tais políticas realmente reduzem desigualdades.

Na entrevista, Pan detalha a diferença entre pré-distribuição e redistribuição, defendendo que ambas são necessárias para reduzir disparidades. Ela afirma que trabalhadores costumam apoiar medidas de melhoria de renda antes de tributar fortunas ou consumo. Também aponta que o trucate de riqueza não funcionou.

Segundo a pesquisadora, empresas costumam priorizar lucro, mesmo quando adotam políticas de antidiscriminação. Ela afirma que o discurso pode esbarrar na prática, uma vez que a agenda corporativa segue subordinada ao desempenho financeiro. Ainda assim, algumas corporações mantêm metas de DEI/ESG.

Entrevista e desdobramentos

Pan comenta o atual estágio do movimento pós-woke, indicando que o pico ocorreu entre 2020 e 2021 e que a pressão contra programas de diversidade e ESG persiste. Ela observa que, mesmo com ajustes de marca, o DEI não desapareceu, apenas ganhou novas denominações como pertencimento.

A pesquisadora critica políticas de reparação, sugerindo que benefícios pontuais podem aprofundar divisões. Defende que a esquerda priorize direitos universais e a redução da pobreza de forma ampla, independentemente de critérios de genealogia ou identidade.

A conversa também traça paralelos com o Brasil, destacando que políticas identitárias contribuíram para a guinada conservadora da classe média em momentos de crise. Pan aponta que o desafio é construir consenso em pautas materiais, mantendo o foco em reformas estruturais. Publicado na CartaCapital em 17/12/2025.

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