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Usuários abandonam grupos políticos no WhatsApp para evitar brigas

Participação em grupos de política no WhatsApp cai para seis por cento, com medo de se posicionar e ambiente agressivo reduzindo o diálogo

Segundo o estudo, o principal fator associado a essa retração é o medo de se posicionar. Mais da metade dos entrevistados (56%) afirmam evitar expressar opiniões políticas por considerarem o ambiente “muito agressivo”. Essa percepção atravessa diferentes campos ideológicos: atinge 63% dos que se identificam como de esquerda, 66% dos que se dizem de centro e 61% dos que se colocam à direita. Foto: Reprodução
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O uso de grupos de WhatsApp para discutir política vem caindo, após repetidas brigas e confusões. O estudo divulgado nesta segunda-feira (15) aponta que apenas 6% dos usuários participam de grupos com debates políticos, queda em relação aos 10% de 2020.

A pesquisa, realizada pelo InternetLab e pela Rede Conhecimento Social, analisa o período 2021 a 2024. Entre familiares, a frequência de mensagens sobre política caiu de 34% para 27%. Entre amigos, de 38% para 24%. Em ambientes de trabalho, o recuo foi de 16% para 11%.

Contexto

A queda indica um esvaziamento do tema nos espaços de convivência. O principal fator identificado é o medo de se posicionar, associado a ambientes considerados agressivos por 56% dos entrevistados. Esse sentimento varia entre espectros ideológicos: 63% da esquerda, 66% do centro e 61% da direita evitam se posicionar.

Mais da metade dos participantes (52%) diz se policiar ao falar, e 50% evitam discutir o tema no grupo da família para evitar brigas. Ainda, 65% evitam compartilhar mensagens que possam ferir valores de terceiros, e 29% já saíram de grupos por não se sentirem à vontade para opinar.

Percepções e estratégias

Especialistas ouvidos pelo estudo ressaltam a polarização e a rapidez das redes. Segundo o pastor Lucas Bezerra, o imediatismo favorece respostas emotivas e pouco diálogo. Já o CEO Marciley Neves destaca a importância de conteúdo embasado e de evitar julgamentos rápidos.

Entre os entrevistados, 12% afirmam compartilhar conteúdos que possam causar desconforto, e 18% divulgam ideias que podem ser vistas como ofensivas. Dos que se sentem seguros para falar de política, 30% recorrem ao humor e 34% preferem conversas privadas, com 29% limitando o debate a visões semelhantes.

Metodologia e alcance

A pesquisa, realizada por centros independentes sem fins lucrativos, ouviu 3.113 pessoas com 16 anos ou mais em todas as regiões do Brasil, entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2024, por questionário online. O estudo recebe apoio financeiro do WhatsApp, mas a empresa não teve ingerência na metodologia, análise ou resultados.

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