O partido Missão disputará a Presidência da República nas eleições de 2026, com uma plataforma que agride tanto a esquerda quanto a direita tradicional. O pré-candidato Renan Santos, fundador do MBL, lidera a agremiação. O foco principal é guerra ao crime organizado, combate à compra de votos com emendas e um ajuste fiscal rigoroso, sem poupar programas sociais.
Segundo Santos, a Missão pretende romper com as velhas oligarquias e promover uma “ruptura geracional” para ampliar a participação de millenials no poder. O objetivo é reduzir a influência de forças políticas vinculadas ao Centrão e aos esquemas de corrupção associados a emendas e aos fundos partidário e eleitoral.
A ideia é apresentar um conservadorismo diferente do utilizado pelo atual bolsonarismo, buscando um público que tenha ceticismo com as antigas lideranças e que deseje respostas rápidas para problemas estruturais. Renan afirma que a Missão mira uma direita aberta a tecnologia e menos ligada a rótulos tradicionais.
Propostas centrais
O plano central combina três reformas estruturais: combate firme ao crime organizado, aplicação de princípios do direito penal do inimigo para facções, e um ajuste fiscal severo para retomar a capacidade de investimento do Estado. O objetivo é criar políticas objetivas com base em leis claras.
A bancada do Congresso seria pressionada a apoiar mudanças no setor de segurança pública, com critérios objetivos para atuação do Ministério Público e do Judiciário. O partido afirma que o uso de instrumentos legais deve ser claro e proporcional.
Outra peça-chave é a reforma administrativa, com critérios de financiamento de emendas e de fundos eleitorais condicionados ao desempenho de cidades e estados. Emendas, fundos e alianças seriam avaliados por indicadores de educação, saúde e segurança.
Cenários políticos e econômicos
A Missão pretende apresentar um programa de contenção de gastos públicos para evitar o colapso fiscal em 2027. O pacote inclui uma reforma tributária e uma revisão de políticas para reduzir a dependência de financiamento estatal em campanhas.
Renan Santos sustenta que a nova direita não depende apenas de votos, mas de mobilizar uma “cena” intelectual que gere políticas públicas eficazes. A ideia é que ações acima da política institucional avancem, com impacto gradual na prática administrativa.
Questionado sobre a relação com o centrão, o pré-candidato afirma que o partido buscará redefinir incentivos, reduzindo a prática de compra de votos através de emendas. A proposta é vincular recursos a resultados em educação, saúde e infraestrutura.
Visões de governo
A Missão se posiciona como direita, porém dissocia-se do conservadorismo performático de alguns símbolos bolsonaristas. O partido defende uma leitura nacionalista que prioriza soberania, segurança, família e liberdade, com propostas para manter a autonomia econômica do Brasil.
Renan também cita inspirações históricas e referências de direita, incluindo ideias de liberalização econômica com controle de gastos, além de referências internacionais de líderes como Bukele e Milei. O objetivo é construir uma agenda capaz de ampliar o espaço político de uma nova geração.
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