O ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo da liquidação do Banco Master no TCU, destinou ao menos 42 milhões de reais em emendas parlamentares para Roraima entre 2020 e 2023, período em que atuava como deputado federal. Os recursos, parte de emendas de bancada, foram aplicados majoritariamente no município de Iracema, segundo levantamento do Estadão.
Entre as emendas, 25,8 milhões de reais ficaram sem qualquer relatório de execução, descumprindo regras do STF e do TCU. Apenas a prefeitura de Iracema recebeu 11,7 milhões sem prestar contas oficiais sobre a destinação.
Autora dos repasses e o município foram contatados pela reportagem e negaram irregularidades. A apuração foi até Iracema, onde estradas da zona rural mostraram-se precárias, mesmo com a expectativa de recuperação com o dinheiro das emendas.
Foram localizadas vias com buracos e lama em pleno período de chuvas, além de um conjunto habitacional com apenas uma casa abandonada entre 300 prometidas para 2024. Planos de trabalho apresentaram descrições genéricas e erros, sem aprovação federal.
Obras não concluídas
Um dos principais conjuntos de obras financiadas com as emendas destinou 13,6 milhões de reais à pavimentação de estrada rural, liberados em 2022. O trecho foi apenas parcialmente concluído e está com rachaduras e espessuras inferiores ao previsto.
A distribuição das emendas também incluiu 4,5 milhões de reais para pavimentação em Vila Campos Novos, o maior distrito de Iracema. Obras ali permanecem incompletas, com vias de terra em condições precárias e relatos de edições de placas de conclusão que foram removidas pelos moradores.
O STF chegou a suspender novos repasses a Iracema com base na falta de transparência, decisão revertida posteriormente por promessas de apresentação de planos de trabalho e de prestações de contas, ainda não entregues.
A prefeitura de Iracema afirma que os recursos foram aplicados regularmente, mas não explicou a ausência de prestação de contas. Em nota, a prefeitura manteve o compromisso com a legalidade e a transparência, atribuindo os problemas às más condições climáticas dos últimos invernos.
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