O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina recombinante adjuvada para prevenção do herpes-zóster ao SUS. A decisão está publicada na Portaria MS n° 3, de 8 de janeiro de 2026, no Diário Oficial da União. O imunizante ficou fora do calendário público por questões de custo e impacto orçamentário.
Segundo relatório da Conitec, a vacina foi considerada cara diante do benefício esperado no combate à doença. O comitê reconheceu a importância da prevenção, mas destacou que o preço precisa de negociação para alcançar sustentabilidade financeira para o SUS.
Ao considerar o custo, a Conitec estimou despesas elevadas: vacinando 1,5 milhão de pacientes ao ano, o gasto seria de cerca de R$ 1,2 bilhão por ano. Em cinco anos, o custo total chegaria a R$ 5,2 bilhões, tornando a medida não custoefetiva.
A portaria prevê possibilidade de nova avaliação pela Conitec caso surjam fatos que alterem o cenário orçamentário ou o impacto da vacinação. A decisão não implica encapsulamento de impactos epidemiológicos, apenas uma avaliação econômica vigorosa.
Herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, que pode reativar-se na vida adulta. O quadro geralmente começa com queimação e coceira; as lesões aparecem em um caminho nervoso e, em geral, duram duas a três semanas. Em casos graves, há risco de complicações.
No SUS, o tratamento é majoritariamente sintomático em casos leves. Em situações de maior risco, como idosos ou imunocomprometidos, o antiviral aciclovir é recomendado. Dados do SUS indicam 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações por herpes-zóster entre 2008 e 2024.
A mortalidade associada à doença, entre 2007 e 2023, somou 1.567 óbitos, com taxa de 0,05 por 100 mil habitantes. Jovens não representam grande parte das fatalidades; 90% dos óbitos ocorreram em pessoas com 50 anos ou mais, sendo 53,4% em idosos acima de 80.
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