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Depois de derrubar Hasina, jovens de Bangladesh voltam à velha guarda

GenZ, que liderou protestos, vê reformas ausentes e eleição volta a concentrar disputa entre velha guarda e Jamaat‑e‑Islami, sem nova opção.

Sadman Mujtaba Rafid, 25, a student of University of Dhaka, poses for a picture, in Dhaka, Bangladesh, January 3, 2026. REUTERS/Mohammad Ponir Hossain
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A juventude de Bangladesh deixou claro que não tolera o governo dinástico, participando massivamente de protestos que levaram à queda do governo de Hasina. No entanto, a euforia inicial se diluiu diante de dúvidas sobre mudanças reais.

Sadman Mujtaba Rafid, estudante de Dhaka University, desafiou a família e a polícia para participar dos atos que derrubaram Hasina, acreditando que a democracia depende da quebra do status quo. Hoje, ele mantém cautela sobre o alcance das reformas.

Entre 2024 e o primeiro processo eleitoral desde a mudança de poder, tensões persistem. O país realiza eleições parlamentares em 12 de fevereiro, a primeira desde o levante, com expectativas de mudança política, mas sem uma alternativa viável clara ao longo do tempo.

Cenário político atual

As eleições anunciam o fim do ciclo com Hasina fora do governo pela primeira vez desde 2008, mas não houve reforma significativa nem surgimento de uma oposição sólida. O prisma ficou entre a Bangladesh Nationalist Party (BNP) de Khaleda Zia e o Jamaat-e-Islami, com o equilíbrio de forças ainda incerto.

Estudantes entrevistados por Reuters, mais de 80 jovens com menos de 30 anos, mostram disposição para votar, mas criticam a pouca diversidade de opções e a sensação de que as propostas não atendem às demandas da juventude.

A força da “nova guarda” x antiga política

Os jovens, conhecidos como Gen-Z, representam mais de um quarto dos eleitores e pressionam por mudanças estruturais. Analistas afirmam que muitos podem votar, influenciando o resultado, apesar de a NCP ter dificuldade de consolidar apoio entre o eleitorado jovem.

Ainda há ceticismo em relação a alianças. A parceria entre a NCP e Jamaat-e-Islami é vista por alguns como estratégica, não ideológica, o que pode minar simpatias entre eleitores que desejam uma ruptura com o passado.

Expectativas e desafios

O espírito de revolta de 2024, que levou diversos jovens às ruas, não se traduziu em um programa claro para o futuro. Na prática, a economia e a segurança de jornalistas e minorias permanecem como pontos de discórdia entre jovens eleitores.

A NCP, que ganhou visibilidade durante as mobilizações, enfrenta limites de organização, recursos e base de apoio. A coalização com Jamaat-e-Islami é debatida entre críticos, que questionam sua real agenda para o futuro do país.

Perspectivas dos eleitores

Apesar das frustrações, a vontade de votar continua alta. Pesquisas indicam que a taxa de participação entre 18 e 35 anos pode chegar a 97%, com distribuição relativamente equilibrada entre BNP e Jamaat.

Alguns jovens apoiam a BNP na esperança de uma liderança estável, enquanto outros citam Jamaat como uma opção nova que pode oferecer um caminho diferente do passado. A decisão final ainda está por se definir.

Olhos no futuro

Há quem acredite que, mesmo diante das dúvidas, a eleição poderá definir uma era de maior legitimidade democrática. Entre quem vive as mudanças no dia a dia, a expectativa é por um governo eleito, com mandato claro e responsabilidade institucional.

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