O mundo relembra hoje o Holocausto, mas uma pesquisa encomendada pela Confederação Israelita do Brasil aponta um território de baixa lembrança histórica no país. O levantamento com Grupo Ispo revela que 53,2% dos brasileiros sabem definir o extermínio de 6 milhões de judeus e que mais da metade não reconhece o que foi Auschwitz.
O estudo mostra ainda que o desconhecimento é mais intenso entre quem tem menor renda e escolaridade. Entre quem possui apenas ensino fundamental, a taxa de acerto fica em 27,2%. Na faixa com até dois salários mínimos, chega a 42,6%.
Entre os dados, emerge uma relação entre eleitorado e percepção histórica. A parcela que sustenta a popularidade do presidente Lula é considerada mais vulnerável a narrativas distorcidas e à desinformação sobre o Holocausto e antissemitismo.
O governo atual rompeu com a IHRA, a Aliança Internacional para a Recordação do Holocausto, em julho de 2025, segundo a nota de pesquisa. A retirada é apontada como sinal de mudança de abordagem na diplomacia brasileira.
Em relação a declarações públicas, Lula foi criticado por ter feito uma comparação entre ações em Gaza e o Holocausto. O episódio gerou debates sobre os limites da linguagem diplomática e a relação com a comunidade judaica.
A pesquisa indica que a escola é a principal fonte de informação para 30,9% dos respondentes, o que coloca peso relevante sobre o Ministério da Educação para melhorar o ensino sobre o tema. Ao mesmo tempo, o relatório aponta que políticas externas podem influenciar a formação de opinião.
Segundo o documento, a retirada do embaixador brasileiro de Tel Aviv e a suspensão de funções do posto indicam uma mudança de tom na relação com Israel. A IHRA define antissemitismo como uma percepção que pode se manifestar como ódio aos judeus, com exemplos que incluem comparações entre políticas atuais e nazismo.
O relatório analisa ainda o papel da mídia e da política externa na percepção histórica. Em especial, aponta que o país enfrenta um desafio de comunicação com segmentos da população menos escolarizados e com menor renda.
A história demanda cuidado na abordagem de temas sensíveis. A pesquisa reforça a necessidade de educação formal robusta sobre o Holocausto para evitar distorções e fortalecer o entendimento público sobre o nazismo e o antissemitismo.
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