A comissão parlamentar de contas afirmou que a negligência médica no NHS persiste na Inglaterra, mesmo após 24 anos de avisos. O grupo diz que erros continuam causando danos e mortes aos pacientes, com custos que chegam a 3,6 bilhões de libras por ano. A crítica recai sobre o Departamento de Saúde e Assistência Social e o NHS England.
O relatório da Public Accounts Committee aponta que as duas instituições não tomaram ações significativas, apesar de quatro relatórios do comitê desde 2002 recomendando reformas. O grupo enfatiza estagnação em áreas como o atendimento obstétrico, citando escândalos ocorridos desde 2015 em Morecambe Bay, East Kent e Shrewsbury e Telford.
Geoffrey Clifton-Brown, presidente da PAC, frisou que o governo continua distante de abordar as causas subjacentes da negligência clínica. O relatório registra que a responsabilidade governamental por negligência clínica quadruplicou nos últimos 20 anos, chegando a 60 bilhões de libras em 2024-25.
Contexto financeiro e impactos
Segundo o documento, o custo da negligência clínica tem desviado recursos de atendimentos na linha de frente. Além disso, processos envolvendo bebês com danos cerebrais podem levar até 12 anos para serem concluídos, e alguns pacientes são informados de forma incompleta sobre o que ocorreu.
Helen Morgan, porta-voz de saúde do Partido Liberal Democrata, disse que os elevados custos refletem um sistema em sofrimento e gestão inadequada. Ela criticou mudanças no financiamento dedicado à melhoria do atendimento obstétrico.
O PAC recomenda maior transparência aos pacientes após erros, com apurações mais rápidas e um sistema de reclamações mais claro e humano. A investigação aponta necessidade de reformas para reduzir denúncias e custos, preservando a segurança do paciente.
Panorama e próximos passos
Um relatório publicado recentemente por Imperial College London e a organização Patient Safety Watch classificou o Reino Unido como 21º entre 38 países da OCDE em segurança do paciente, destacando altas taxas de mortalidade neonatal e complicações cirúrgicas.
O Departamento de Saúde e Assistência Social afirmou que herdou um NHS com falhas graves. Segundo o governo, medidas já foram tomadas para fortalecer a segurança do paciente, incluindo reformas regulatórias, implementação de regras de revisão clínica e novas medidas de segurança obstétrica.
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