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Prefeito pediu brinde de Dia das Mães a empresa suspeita de propina

PF aponta que prefeito de Paraú negociou propina com empresa fornecedora, incluindo pedido de brinde do Dia das Mães, em meio a esquema investigado pela PF

Prefeito de Paraú entrando em sala de sócio da Dismed, segundo a PF
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O prefeito de Paraú, João Evaristo Peixoto, o Júnior Evaristo (PP), é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de desvio de verbas na compra de medicamentos. A operação Mederi envolveu a prefeitura de Paraú e outras cidades do Rio Grande do Norte. A PF informou que houve a negociação de propina e menção a um brinde do Dia das Mães durante a reunião com o empresário de uma empresa fornecedora.

A PF aponta que o encontro ocorreu na sede da empresa Dismed, em Mossoró, no dia 8 de maio de 2025. O aparelho de vigilância capturou o momento em que dinheiro vivo era manuseado e um diálogo sobre comissões da compra de remédios, com menção a 10% de propina. Os investigadores veem o prefeito como elo crucial no esquema.

A investigação também ligou o prefeito ao intermediário da empresa, Oseas Monthalggan Fernandes Costa, sócio da Dismed. Oseas seria o articulador comercial, responsável pelas relações com o município e pela exclusividade nas contratações, segundo a PF.

Na avaliação da PF, o diálogo sugere divisão de funções: Oseas controlaria valores e prazos, enquanto Júnior Evaristo facilitaria as operações administrativas. A referência ao brinde e à aceitação de benefícios auxilia a caracterização do relacionamento entre eles.

Entre 8 de abril e 5 de maio, a prefeitura de Paraú realizou seis pagamentos que somam 48,1 mil reais, conforme levantado pela PF. Entre 2024 e 2025, a Dismed recebeu 336,8 mil reais pela venda de medicamentos ao município. Os agentes consideram indicativo de propina.

A defesa da Dismed afirma que os diálogos devem ser examinados com o acesso integral aos autos. A empresa sustenta atuação lícita de 18 anos no mercado atacadista de medicamentos e nega irregularidades. Sobre o dinheiro na sede, a defesa diz tratar-se de recursos legais decorrentes da atividade comercial.

O desembargador do TRF-5 rejeitou o pedido de afastamento do prefeito, impondo fiança de 100 mil reais e o uso de tornozeleira eletrônica. O intermediário da Dismed teve suspensão de atividade econômica determinada pela Justiça. Outras prefeituras do estado foram requisitadas a apresentar contratos com as empresas investigadas.

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