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Conflito de terra de 64 anos chega ao fim na Paraíba

Fim oficial do conflito agrário mais antigo do país na Paraíba resulta no assentamento agroextrativista Elizabeth Teixeira, beneficiando 21 famílias em 133 hectares

Famílias que serão beneficiadas com assentamento Elizabeth Teixeira Compra (PB)
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O conflito agrário mais antigo do Brasil chega ao fim na Paraíba. A criação do assentamento agroextrativista Elizabeth Teixeira, anunciada pelo Incra, beneficia 21 famílias da Barra de Antas, em Sapé e Sobrado, com a ocupação de 133 hectares hoje usados para cana-de-açúcar. A ação encerra uma disputa que perdurou por 64 anos, ligada às Ligas Camponesas.

A decisão envolve o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o proprietário da área, Sebastião Figueiredo Coutinho. As famílias passam a ter contratos de concessão de uso da terra, que lhes asseguram o direito de explorar o espaço para cultivo alimentar.

O marco inicial da disputa remonta a 2 de abril de 1962, quando o líder camponês João Pedro Teixeira foi assassinado em uma emboscada encomendada por fazendeiros locais. A morte dele simboliza décadas de resistência camponesa, tema presente no documentário Cabra Marcado para Morrer.

Elizabeth Teixeira, com 100 anos, tornou-se a figura central da luta após a perda do marido. Ela chefiou a mobilização pela posse da área durante a ditadura, chegou a ser presa e viveu na clandestinidade por 17 anos.

A negociação com o proprietário começou há quase 28 anos, durante a gestão de FHC, quando o Incra tentou desapropriar a fazenda por considerá-la improdutiva. O processo foi interrompido por incompatibilidades legais, e a terra acabou não desapropriada.

Em 2023, houve nova pressão de movimentos sociais para o acordo. O proprietário aceitou vender por 8,3 milhões de reais no ano passado, viabilizando o assentamento próximo ao memorial que registra a história das Ligas Camponesas.

As famílias assentadas haviam sido expulsas ao longo dos anos para abrir espaço à cultura da cana. Com a transferência, o território próximo ao memorial passa a abrigar uma produção de base alimentar, representando uma reparação histórica para a comunidade.

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