A campanha presidencial em Portugal chega ao fim nesta sexta-feira com Antonio José Seguro, do campo socialista moderado, como favorito no segundo turno contra André Ventura, líder da ultradireita local. A expectativa se mantém mesmo diante das tempestades que atingiram o país nas últimas semanas e das dificuldades logísticas para esta votação.
As chuvas provocaram danos e exigiram ajustes na organização eleitoral. A Comissão Nacional de Eleições informou que três municípios adiaram a votação para o próximo domingo, 15, entre eles Alcácer do Sal, no baixo alentejo, afetado pela cheia do rio Sado. O anúncio ocorreu após impacto das tempestades Leonardo e Kristin.
O atual primeiro-ministro, Luís Montenegro, reconheceu a gravidade da crise causada pelo mau tempo, mas afirmou que a votação permanece viável dentro do calendário previsto. Ventura pediu o adiamento nacional, mas a lei prevê apenas adiamentos locais de até uma semana, sem alterar a data de divulgação dos resultados.
Marcelo Rebelo de Sousa, presidente em fim de mandato, reiterou que as eleições devem ocorrer mesmo em estado de emergência, lembrando a sua reeleição durante a pandemia. Essa posição foi citada como referência para manter o pleito, segundo fontes próximas.
No território, a mobilização mudou o ritmo: candidatos intensificaram visitas às áreas atingidas e ajustaram agendas. Ventura reforçou críticas ao governo de Montenegro, alinhado à oposição, enquanto Seguro adotou tom mais firme, expressando preocupação com a eficácia dos serviços de emergência.
Uma pesquisa recente do jornal Público aponta Seguro com 67% das intenções de voto, frente a 33% de Ventura. O levantamento ocorre após o primeiro turno, no qual Seguro obteve 31,1% e consolidou apoio de parte da esquerda, centro e setores da direita, porém sem o aval do governo.
Analistas ressaltam que as condições meteorológicas podem favorecer a desmobilização dos eleitores, sobretudo se o cenário favorecer a percepção de vitória antecipada de Seguro. Ainda assim, a votação pode influenciar o equilíbrio entre permanecer na ordem institucional ou impulsionar mudanças propostas por Ventura.
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