O jornal O Estado de S. Paulo revelou que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, pagou 9,4 milhões de reais em 2024 pela compra de um imóvel ligado a uma pessoa investigada pela Polícia Federal por sonegação no setor de combustíveis. A operação ocorreu em São Paulo e envolve uma empresa familiar que o ex-ministro mantinha com os filhos.
A casa fica na zona sul da capital paulista, em condomínio fechado, e tem 777 metros quadrados. A aquisição foi efetuada em março de 2024, um mês após Lewandowski assumir o Ministério da Justiça. A venda está ligada a Alan de Souza Yang, conhecido como China, alvo de investigações e de ações pela PF ao longo de anos.
Antes da compra, o imóvel havia sido vendido à esposa de China por 4 milhões de reais. Anajá de Oliveira Santos Yang é suspeita de ser laranja do marido, segundo apuração. A Justiça Federal de São Paulo bloqueou o imóvel meses depois, mantendo-o indisponível até esclarecer desdobramentos da investigação.
Contexto da investigação
Em 2023, China foi alvo da Operação Carbono Oculto, na gestão de Lewandowski à frente da Justiça. A PF o aponta como ligado a uma rede que lavava dinheiro para o PCC por meio de distribuidoras de combustível. A operação cita também uma empresa de usinas ligadas a China e relações com o envolvido conhecido como o Primo.
Reações do ex-ministro
Lewandowski afirma ter agido de boa-fé e que não tinha conhecimento de investigações envolvendo China. Disse à reportagem que a compra ocorreu por segurança, após assumir o ministério, buscando um condomínio com maior proteção. O ex-ministro desconhecia a situação jurídica do vendedor no momento da transação.
Segundo Lewandowski, os proprietários apresentaram documentos que atestavam a regularidade da casa. Ele alega não ter tido contato com China nem com a esposa até o negócio, e afirma que pretende regularizar a situação ou devolver o imóvel, caso haja necessidade, já que a propriedade continua bloqueada pela Justiça.
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