Atualizada às 17h45
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu nesta sexta-feira (11) ao presidente da Corte, Edson Fachin, acesso à íntegra do material extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.
O pedido foi feito pouco depois de o ministro Alexandre de Moraes requerer a retirada do sigilo de todos os documentos da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias atribuídas a Vorcaro.
No ofício enviado a Fachin, Zanin afirmou que deseja ter acesso diretamente à mídia que contém todo o material extraído do celular de Vorcaro, apreendido na primeira fase da operação.
Mendonça diz não estar com o celular
Ainda na tarde de sexta-feira (11), o ministro André Mendonça afirmou, em despacho, que não está com aparelho celular no gabinete. Em 19 de fevereiro, o ministro relator do caso envolvendo o Banco Master delegou a custódia do aparelho à PF.
No despacho, Mendonça afirma ter recebido “voluntariamente” um HD criptografado contendo um cópia de segurança com os dados extraidos do aparelho de Vorcaro.
Segundo o Zanin, o conteúdo está diretamente relacionado ao julgamento marcado para a próxima terça-feira (15), quando o plenário do STF deve analisar um relatório da Polícia Federal que aponta supostas ligações entre Vorcaro e Moraes.
Moraes questiona sigilo parcial
O pedido de Zanin ocorre em meio à crise aberta no Supremo após a retirada parcial do sigilo do caso Master pelo ministro Mendonça, relator da investigação na Corte.
Na noite de quinta-feira (10), Mendonça retirou o sigilo de 15 procedimentos ligados ao caso, após pedido de Fachin. Moraes, porém, afirmou que houve seletividade subjetiva na divulgação dos documentos.
O ministro pediu a Fachin a retirada de “todo e qualquer sigilo” dos materiais relacionados à Operação Compliance Zero.
Mendonça manteve algumas apurações sob segredo de Justiça. Uma delas trata do suposto repasse de R$ 61 milhões de Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outra investigação mantida sob sigilo envolve a ligação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o advogado Augusto Ferreira Lima, antigo sócio do Master.
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Julgamento no plenário
Fachin marcou para terça-feira uma sessão plenária para julgar um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que quer a anulação do relatório da PF sobre Moraes.
Gonet argumenta que Mendonça não tinha competência para autorizar investigação contra um colega de Supremo.
A Constituição e o Regimento Interno do STF preveem que apenas o plenário tem competência para processar e julgar ministros da Corte. Ainda assim, o tribunal não informou detalhes sobre o rito da sessão.
Até o momento, o STF não anunciou se o julgamento será aberto ou fechado nem se Alexandre de Moraes participará da análise.
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(Com informações da Agência Brasil)
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