A Polícia Federal deflagrou a operação Zona Cinzenta, nesta sexta-feira, contra a Amprev, a previdência de Amapá. O alvo é Jocildo Silva Lemos, presidente da Amprev, indicado por Davi Alcolumbre para chefiar o órgão. Lemos já foi tesoureiro de campanhas do senador.
A investigação apura aplicações de 2024 em letras financeiras do Banco Master, com quase 400 milhões de reais. As operações ocorreram em menos de 20 dias, mesmo com alertas de risco do MPF e do TCU, segundo apuração da reportagem.
Dois membros do comitê de investimentos votaram contra os investimentos, recomendando nova consulta ao TCU, conforme atas públicas. Alcolumbre não é investigado e afirmou que confia nas instituições e quer transparência no processo.
Apoiadores de Alcolumbre mostraram que não há relação direta dele com a indicação ou decisões de investimento. A Amprev diz buscar ressarcimento integral dos valores investidos e aponta prejuízos provocados pelas irregularidades.
A PF também investiga se houve pressão hierárquica para acelerar aportes e se houve contorno de regras de compliance. Em nota, a Amprev afirma que os investimentos, aprovados pelo BC, representam 4,7% da carteira e que houve crescimento patrimonial.
Envolvimento político e cenário no Congresso
O caso aproxima o Master do Senado e aumenta a pressão para abrir uma CPMI. A oposição sustenta tentativa de “operação abafa” e já protocolou requerimento com 281 assinaturas, que depende de leitura em sessão.
Para o líder do Novo no Senado, Eduardo Girão, é preciso esclarecer responsabilidades. Ele também cobra a instalação da CPMI para apurar eventuais ligações entre o caso e a cúpula do Legislativo.
A Amprev comunicou que vai buscar o ressarcimento integral e que adotou medidas judiciais cabíveis, incluindo o bloqueio de repasses ao Banco Master. A direção da autarquia afirma buscar a Justiça para responsabilizar os envolvidos.
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