Os pais da jovem de 18 anos que acusa o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), contaram à esposa dele, Katcha Valesca, o relato da filha. O contato ocorreu por meio de mensagens entre a família e a mulher do magistrado.
O blog teve acesso às conversas, nas quais o pai afirma que a família tem carinho pela jovem e que a casa permanece aberta para ela, apesar do relato. A mensagem descreve o que houve de forma direta, afirmando que a jovem foi molestada pelo ministro no mar, hoje.
Katcha respondeu com surpresa e disse não saber como agir, afirmando ser casada há 43 anos e que nunca vivenciou algo similar. Entre as mensagens, a mãe da vítima afirma ter confrontado Marco, relatando que a filha chorava e que o ministro perguntou se seria melhor ele não ir para casa.
Trocas de mensagens e dúvidas
Em outro trecho, Katcha questiona o relato da jovem, dizendo que, nos 47 anos que conhece Marco, nada parecido aconteceu. Ela ressalta que Marco é professor e convive com jovens, e afirma que nunca houve ruídos de abordagem. A ministra também comenta que não houve ruídos ao longo da carreira pública do marido.
Katcha disse ainda que a família, ao deixar o local, foi tratada como se fosse criminosa. A mãe da jovem afirmou que o ministro era tido como uma figura próxima, quase de família, para os filhos.
Registro, investigação e desdobramentos
Marco Buzzi nega o crime e é alvo de investigação por importunação sexual. A defesa ressaltou, em nota, que o caso representa um retrocesso civilizacional por julgar antes da formalização da investigação.
Segundo depoimento, a jovem relatou que o assédio ocorreu durante uma viagem à casa de praia do minister em Balneário Calboriú, Santa Catarina, no início deste ano. Ela afirma que o ministro a levou a uma área afastada da praia, dizendo que ali seria mais tranquilo para entrarem no mar, e que ele passou a se aproximar fisicamente.
Dentro da água, o relato aponta que o ministro comentou que estava com frio por estar abraçado, virou a jovem de costas, pressionou o corpo contra o dele e tocou suas nádegas. A vítima afirmou que tentou se desvencilhar, conseguindo apenas após várias tentativas, pois ele a puxava de volta.
A jovem contou ter informado os pais imediatamente após o ocorrido, e a família decidiu retornar a São Paulo. O caso ganhou publicidade pelo portal Veja, com confirmação do G1 e da TV Globo. As investigações tramitam em sigilo, em razão de crime sexual, com notificação ao CNJ e encaminhamento ao STF devido ao foro privilegiado do ministro.
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