Quase sete anos após o suicídio de Jeffrey Epstein, os 3,5 milhões de documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA continuam afetando a reputação de figuras de política, economia e realeza. O material não implica conduta ilícita, mas pode ser comprometedor para quem é citado.
Entre os citados aparecem o príncipe Andrew, irmão do rei Charles III; Bill Clinton, ex-presidente dos EUA; Hillary Clinton; e o bilionário Elon Musk. As mensagens, e-mails, fotos e vídeos acessíveis elevam o escrutínio sobre contatos com o financiista, sem, porém, estabelecer culpa direta.
Crise no governo britânico surge com a nomeação de Peter Mandelson como embaixador dos EUA em 2024. Mandelson é mencionado milhares de vezes e enfrenta investigação policial após deixar a Câmara dos Comuns. A divulgação também acende questionamentos sobre destituições e vínculos com Epstein.
Na Europa, o eslovaco Miroslav Lajčák renunciou por envolvimento recente em diálogos com Epstein quando era chanceler. A investigação envolve ainda a relação de um assessor com o ex-financiista em momentos distintos de carreira pública.
Desgraças reais no cenário nórdico aparecem com novas revelações sobre a princesa Mette-Marit, que trocou centenas de mensagens com Epstein entre 2011 e 2014. A princesa pediu desculpas pela associação, enquanto pesquisa aponta resistência de parte da população norueguesa à sua eventual ascensão.
Demissões e investigações avançam em múltiplos frentes. Thorbjørn Jagland, ex-primeiro-ministro da Noruega, é alvo de apurações por possíveis ligações com Epstein durante a presidência do Comitê Nobel. Mona Juul e Terje Rød-Larsen também respondem a questionamentos.
A investigação norueguesa envolve ainda funcionários que lidavam com relações bilaterais do país com Epstein na diplomacia. Juul deixou o posto de embaixadora após os relatos sobre seus vínculos com o financista.
No Fórum Econômico Mundial, em Davos, o diretor-geral Børge Brende é alvo de apuração por mensagens relacionadas a Epstein. Brende nega conhecimento de atividades criminosas do financista, que também teria contato com outras personalidades europeias.
No âmbito dos EUA, Bill Clinton e Hillary Clinton passaram a depor no Congresso após pressões legais, com Hillary afirmando que não manteve contatos significativos. Donald Trump é citado, mas sustenta que não houve acusações formais contra ele.
O caso envolve ainda o bilionário Bill Gates, que expressou que precisa esclarecer situações citadas nos documentos. Melinda Gates sugeriu que Epstein possa ter apresentado encontros com mulheres a Bill Gates, o que gerou curiosidade pública.
Elon Musk também é citado entre os nomes de alto perfil nos arquivos. O empresário sustenta que rejeitou convites de Epstein para viajar, destacando que não houve participação em atividades criminosas.
Outros nomes ligados ao setor público, como o ex-secretário do Tesouro Larry Summers, deixaram posições acadêmicas ou institucionais em meio às revelações. Advogados de algumas partes também anunciaram renúncias ligadas ao caso.
A divulgação demonstra como inocentemente figurar na lista de contatos com Epstein pode gerar repercussões duradouras. O material continua a impactar a percepção pública de figuras políticas, empresariais e da realeza.
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