O PT reforçou nesta semana a estratégia de aproximação com o eleitorado evangélico, buscando distensionar o diálogo diante da rejeição registrada entre parte desse público. A cúpula do partido se reuniu em Salvador, na sexta-feira (6), durante as comemorações dos 46 anos da sigla, para discutir ações voltadas a esse segmento. A pauta incluiu a criação de uma atuação mais próxima das bases das igrejas e a necessidade de desmentir informações falsas que circulam sobre o partido.
Segundo Gutierres Barbosa, coordenador nacional do grupo inter-religioso do PT, a ideia é conversar com as pessoas de forma direta, sem transformar o púlpito em palanque. O objetivo é abrir espaços de diálogo nos territórios, mantendo a convicção de que Lula não participará de rituais religiosos para atrair votos e que o PT não se alinha a uma agenda exclusivamente evangélica.
Estrutura já em expansão
O grupo existe desde 2014, mas ganhou força recente dentro do partido. Hoje, atua em 27 estados, ampliando a presença regional para além das áreas onde já atuava. Barbosa, que também ocupa cargo na Igreja Batista Nazareth, afirma que o PT reconhece a necessidade de trabalho específico com a fé para ampliar a base de apoio.
O PT lançou conteúdos para acompanhar essas ações, fruto de manejo de imagem nas redes. O movimento já havia sido utilizado em campanhas anteriores, com cursos e cartilhas voltados a diálogo com evangélicos e à segurança pública, buscando reduzir a rejeição entre esse segmento.
Dados de rejeição e próximos passos
Pesquisa recente aponta resistência significativa entre evangélicos ao governo Lula, com 67% de rejeição no grupo pesquisado pelo PoderData. O índice é superior à média nacional, que fica em 51%. A divulgação ocorreu no fim de janeiro, e o PT busca alterar esse cenário com encontros regionais e nacionais.
A agenda do grupo para 2026 inclui encontros em estados, com uma grande reunião nacional em Brasília, programada para junho, para discutir a participação de lideranças evangélicas. Além disso, há planos de diálogos com religiões de matriz africana, em abril, e com católicos, em maio.
Perspectivas e dilemas
A liderança do PT vê potencial de ganho de espaço entre as religiões, reconhecendo que temas como o aborto devem ser tratados com cuidado, sempre destacando o papel do Estado e de instituições religiosas na mediação de debates. A expectativa é que o eleitorado evangélico tenha participação cada vez mais expressiva nos quadros do partido, sem abandonar a diversidade de posições.
- A coordenação do grupo enfatiza a importância de formação política dentro do espaço de fé, com foco em diálogo informado e respeito às diferentes posições.
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