Há uma suspensão de um decreto que permitia dragagem e privatização do Rio Tapajós, principal afluente amazônico, após protestos que paralisaram um terminal de grãos em Santarém. A medida foi anunciada pelo governo federal em 6 de fevereiro.
Os bloqueios, iniciados em 22 de janeiro, envolvem centenas de povos indígenas que atuam contra o projeto Tapajós Waterway, que prevê ampliar trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins para navegação de grandes barcos. O objetivo era exportar soja e milho.
As lideranças dizem que as comunidades não foram consultadas, contrariando a exigência de consentimento prévio, informado e consentido previsto na Constituição. Entre os povos envolvidos estão Arapiuns, Apiaká, Arara, Munduruku, Tupayú e Sateré-Mawé.
Situação atual
Até 9 de fevereiro, estima-se entre 800 e 900 manifestantes ainda bloqueando o acesso à unidade da Cargill no município. A empresa é apontada como potencial beneficiária da expansão da hidrovia ao reduzir custos de exportação.
Conflitos e danos já observados incluem o aumento do tráfego de balsas, que eleva riscos para comunidades ribeirinhas e dificulta atividades como pesca e transporte escolar. Autoridades locais acompanham a mobilização.
Reações e próximos passos
Movimentos indígenas defendem a revogação total do decreto, não apenas a suspensão. Organizações locais já haviam endereçado críticas ao impacto social e ambiental da hidrovia, em cartas oficiais.
A deputada Malaquias Mottin, alvo de um incidente de trânsito contra um manifestante em fevereiro, está sob investigação pela Câmara de Santarém. Não houve confirmação de desfechos até o momento.
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