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A passividade intrigante dos russos

Rússia permanece passiva diante do regime; a ausência de grupo estratégico impede ação coletiva, contrastando com Irã e Ucrânia

Russian woman with anti-war sign observed by police in Moscow
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O uso da repressão sozinha não explica a grande diferença de protestos entre Rússia, Irã e Ucrânia. Enquanto Irã registra milhares de mortes, os russos evitam ações coletivas contra o regime. As diferenças entre os países ajudam a entender o fenômeno.

Desde a queda da União Soviética, russos e ucranianos já fizeram protestos de massa, mas seguiram caminhos distintos. Em 2011-2012, a Rússia viu grandes manifestações; desde então, ficou quase quieta. A Ucrânia abriu grandes mobilizações em 2000, 2004 e 2013-2014.

M. Gessen, colunista do New York Times, atribui a quietude russa à repressão e à atomização social. Segundo a autora, protestos em massa deixaram de ocorrer e restou apenas o protesto individual com cartaz.

Fatores de participação e grupos estratégicos

Pesquisadores destacam que a ação coletiva depende de coordenação e de grupos estratégicos dedicados a uma causa comum. Sem esses elos, o indivíduo isolado não sustenta movimentos amplos.

A coerção pode ser usada para evitar participação, porém incentivos também ajudam. Votos obrigatórios, promessas de benefícios ou punições atuam como incentivos, segundo a literatura de ação coletiva.

Situação russa e iraniana contrastante

O regime russo controla as principais forças coercitivas e uma parte relevante da economia, o que dificulta a mobilização. Já no Irã, a repressão é severa, mas não surgem incentivos estruturados para a participação coletiva.

A teoria da persuasão entra em jogo ao considerar crenças, valores e emoções. Ideias sobre democracia mobilizam ucranianos, belaruzi e russos em determinadas ondas de contestação; no Irã, o regime conseguiu manter o capital social mobilizado contra ele.

O que pode mudar

A análise aponta que, para além da repressão, é preciso ter um grupo estratégico com recursos para promover participação. Sem esse grupo, a mobilização tende a permanecer fragmentada.

Alguns especialistas sugerem que, no longo prazo, mudanças institucionais fortes poderiam criar condições para mobilização democrática. Isso dependeria de mudanças no conteúdo político e na liderança.

Olhar para o futuro

O destino da participação social na Rússia depende da combinação de fatores coercitivos, incentivos materiais e reformas de persuasão. A permanência de Putin é uma variável central para o equilíbrio político do país.

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