O relatório sigiloso da Polícia Federal sobre o envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, aponta telefonemas entre ele e o ministro Dias Toffoli, do STF, além de convites para festas e discussões sobre repasses ligados ao resort Tayayá, segundo apuração do jornal O Globo.
O material, de cerca de 200 páginas, foi entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, que solicitou explicações a Toffoli e poderá decidir sobre eventual suspeição do magistrado na relatoria do caso. A PF descreve indícios que alimentam dúvidas sobre a continuidade de Toffoli na comando da pauta.
Toffoli tratou as informações como ilações e questionou a possibilidade de afastamento com base no CPC, segundo a PF. O relatório, feito a partir de dados de cinco celulares de Vorcaro, não requer explicitamente a remoção, mas aponta elementos relevantes para avaliação de incompatibilidade.
Entre os itens relevantes estão falas sobre o resort Tayayá e sobre a empresa Maridt, ligada à família de Vorcaro por meio de participação societária. O ministro admite ter recebido valores da empresa, com alegação de repasses regulares por manter participação na companhia ao lado dos irmãos.
Até então, não havia confirmação pública de que Toffoli fosse sócio direto da Maridt. A relação entre a empresa ligada aos Toffoli e o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, aparece como eixo central da apuração e é tema recorrente das conversas.
A atuação do ministro ganhou peso após decisões questionadas pela PF. Toffoli assumiu a relatoria após pedido da defesa de Vorcaro para levar o caso ao STF, citando o foro do deputado Bacelar, o que gerou críticas internas na PF.
No dia em que o sigilo foi decretado, Toffoli viajou ao Peru para a final da Libertadores, em avião de empresário do Master. Em seguida, centralizou no STF a custódia das provas, exigiu acareação e elaborou perguntas aos investigados, prática incomum.
O ministro restringiu inicialmente o acesso da PF a materiais e só depois autorizou atuação do MPF, com perícia limitada a quatro agentes. Por fim, reduziu prazos de depoimentos e definiu novo cronograma, medida vista como restritiva pela corporação.
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