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AGU e Ministério das Mulheres pedem apuração de caso de menina estuprada em MG

AGU e Ministério das Mulheres pedem ao CNJ apuração de decisão do TJMG que absolveu homem de 35 anos e mãe no caso de estupro de vulnerável contra menina de 12

Este é o desembargador Magid Nauéf Láuar - Divulgação/Juarez Rodrigues/TJMG
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A Advocacia-Geral da União e o Ministério das Mulheres entregaram ao Conselho Nacional de Justiça um pedido de providências nesta quarta-feira, 25. A ação questiona a decisão da 9ª Câmara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que absolveu um homem de 35 anos suspeito de estupro de vulnerável contra uma menina de 12. A mãe da vítima também foi absolvida por suposta conivência.

Segundo a peça, a decisão mineira qualifica a tipicidade do delito como atípica por meio de um argumento de núcleo familiar e vínculo afetivo. A AGU sustenta que essa linha de raciocínio relativiza ilegalmente a vulnerabilidade de menores de 14 anos e fere o que está estabelecido no Código Penal.

A ação lembra que a legislação prevê presunção absoluta de violência nesses casos, sem espaço para consentimento, experiência prévia ou relacionamento amoroso da vítima. O Ministério das Mulheres reforça que o Brasil adota proteção integral para crianças e adolescentes.

Protocolo e impacto

A petição enfatiza que anuência familiar ou vínculo conjugal não pode fragilizar a proteção prevista na lei. Os órgãos destacam o compromisso internacional do Brasil para eliminar o casamento infantil, prática que atinge principalmente meninas negras em áreas vulneráveis.

A União também solicita ao CNJ que apure a conduta dos magistrados que votaram pela absolvição. Além disso, pede medidas para assegurar o cumprimento do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero.

Medidas e monitoramento

Os ministérios defendem formação continuada e capacitação obrigatória de magistrados sobre direitos humanos, gênero, raça e etnia. Também solicitam disponibilização de dados estatísticos para monitorar a aplicação do protocolo nas decisões judiciais.

A ação tramita em segredo de justiça e já envolve o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, que abriu um pedido de providências sobre a atuação do TJMG e do desembargador relator. A intenção é coibir retrocessos dogmáticos no Judiciário.

Contexto atual

O pedido reforça a necessidade de intervenção do CNJ para evitar revitimizações no sistema de Justiça. A expectativa é que a tramitação apure impactos da decisão e fortaleça guardiãs de proteção a crianças e adolescentes, conforme diretrizes nacionais e internacionais.

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