A Câmara Municipal do Recife protocolou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar suspeitas de fraude no concurso público para o cargo de procurador do município. A iniciativa envolve o afastamento de eventual favorecimento ao candidato Lucas Vieira Silva, cuja nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial. A comissão tem prazo inicial de 120 dias, prorrogável por mais 60.
A CPI, apelidada de “CPI do Fura-Fila”, é liderada pelo vereador Thiago Medina (PL) e conta com sete integrantes. As assinaturas foram obtidas por meio de requerimento apresentado à Câmara, com sinais de apoio de vereadores de diferentes legendas.
Segundo relatórios, Lucas Vieira Silva, filho de uma procuradora do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), ocupou a vaga de procurador municipal com salário de aproximadamente 30 mil reais. O candidato ficou em 63º lugar no concurso, mas apresentou laudo médico relatando TEA e pleiteou inclusão na lista de Pessoas com Deficiência (PCD). A nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial.
Desdobramentos e contexto
Outro candidato, classificado para a vaga de PCD, apelou da decisão após perder a nomeação. Em resposta à repercussão, a prefeitura de Recife decidiu cancelar a nomeação de Lucas, em portaria publicada no Diário Oficial no dia 31 de dezembro.
A situação envolve ainda vínculos familiares relevantes: além de ser filho da procuradora do TCE, Lucas é filho do juiz Rildo Vieira da Silva, titular da Vara Regional de Crimes Contra a Administração Pública do TJPE em Recife. A vara atua em investigações que podem incluir gestores públicos, como prefeitos.
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