A deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero revelou que a equipe do empresário Daniel Bueno Vorcaro, controlador do Banco Master, operava fraudes bilionárias e mantinha uma estrutura de inteligência capaz de invadir sistemas sensíveis de segurança nacional e internacional. O objetivo principal seria monitorar investigações e neutralizar riscos para o grupo.
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, do STF, houve acesso indevido a bancos de dados sigilosos. O operador central desse núcleo, identificado pelo codinome Sicário, utilizava credenciais de terceiros para consultar sistemas restritos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais, como a Interpol.
A investigação aponta que as ordens de monitoramento partiam diretamente de Vorcaro e não se limitavam a autoridades: alcançavam jornalistas e outras pessoas consideradas de interesse para os negócios do Banco Master. A atuação visava preservar os ilícitos do grupo.
A acusação descreve que a estrutura contava com um grupo informal chamado A Turma, liderado por dois agentes, com um policial aposentado responsável por vigilância clandestina. O ministro aponta que o funcionamento se assemelhava a uma milícia privada.
Vorcaro foi preso em São Paulo, acompanhado por outros três mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão no estado e em Minas Gerais. O cunhado dele, Fabiano Zettel, empresário e pastor, também é procurado pela PF e deve se apresentar.
A operação também resultou no afastamento de dois servidores de carreira do Banco Central, ligados ao banqueiro, durante as investigações em curso. A defesa de Vorcaro ainda não respondeu ao contato da Gazeta do Povo.
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