O ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha, avaliou em entrevista ao Poder e Mercado, do Canal UOL, que o Brasil pode avançar no debate sobre o fim da escala 6×1, mas ainda enfrenta resistência de uma parcela da elite brasileira.
Cunha afirma que a oposição vem principalmente de setores conservadores da elite econômica, que historicamente reagem a mudanças trabalhistas. Segundo ele, esse recuo é visto em momentos de reformas profundas na economia e na sociedade.
O ex-parlamentar citou exemplos históricos para ilustrar o padrão de reação: receio frente a mudanças como a escravidão e a criação de normas trabalhistas nos anos 1930, além de temores sobre impactos de políticas como o FGTS e o 13º.
Para Cunha, falta uma atuação mais firme de setores importantes da classe dirigente para chegar a um denominador que beneficie os trabalhadores do país, sem sustentar a ideia de que as reformas seriam prejudiciais.
Sobre impactos práticos, ele cita o comentário do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, de que a média de horas trabalhadas no Brasil fica em torno de 41,5, sugerindo que uma redução gradual para 40 horas, com implementação escalonada, seria viável.
O ex-deputado também destacou que parte do empresariado já admite a mudança, citando um caso em que trabalhadores de uma indústria já atuam em 40 horas semanais, cinco dias. Ainda assim, afirmou que há resistência de alguns setores que não enxergam ganho imediato.
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