O Hinduismo volta a ganhar espaço na política nepalesa à medida que se aproximam as eleições de 5 de março. Em Janakpur, templo de Janaki Mandir, multidões lotaram o espaço religioso enquanto marchas e alto-falantes marcaram o clima de campanha. Cartazes pediam a volta do rei Gyanendra Shah para salvaguardar o país e encerrar o secularismo.
A atuação de grupos ligados a nacionalismo hindu, com ligações à BJP indiana, é citada como fator de pressão para hábitats religiosos no sul do Nepal, próximo à fronteira com a Índia. A cerimônia de Ram Mandir em Ayodhya, anunciada em 2024, alimenta símbolos de vitória de Ram entre fiéis nepaleses, junto a imagens de Hanuman.
Cenário político e o papel da monarquia
Antes de 2008, o país vivia sob a monarquia, que foi abolida ao ser estabelecida a república secular. A transformação teve suporte popular e um novo texto constitucional, em 2015, reconheceu o Nepal como estado laico. Ainda assim, parte da população conservadora rejeita a mudança.
Gyanendra Shah, que vive no Nepal e completou 78 anos, intensificou recentemente sua atuação pública. Em fevereiro, ele gravou um vídeo desmerecendo a credibilidade da eleição prevista, sem detalhar caminhos para consenso nacional.
Forças políticas em disputa
No terreno, a Rastriya Prajatantra Party (RPP) defende a restauração do papel da monarquia e o status como estado hindu. Em contrapartida, a Rastriya Swatantra Party (RSP), liderada pelo ex-jornalista Rabi Lamichhane, concentra apoio urbano e jovem, apresentando Balendra Shah, o Balen, como candidato a primeiro-ministro.
Analistas observam que, apesar de apoios a uma república hindu, o RSP pode precisar governar em coalizão para viabilizar maioria parlamentar. A agenda de combate à corrupção e à estagnação econômica aparece como objetivo central de campanha, segundo especialistas.
Perspectivas regionais e riscos
A radicalização religiosa avança especialmente nas áreas do sul do país, onde há maior proximidade com redes hindus indianas. Em Kathmandu e Janakpur, eleitores relatam entusiasmo por propostas de governo que prometem mudanças contra a chamada elite política.
Observadores destacam que a conjuntura atual pode ampliar tensões entre comunidades religiosas, incluindo minorias budistas, muçulmanas e parentes de tradições animistas. Ainda não há consenso sobre o impacto a longo prazo na democracia nepalesa.
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