O ala do PSOL ligada a Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, divulgou um manifesto pró-federação com o PT. A iniciativa busca reunir assinaturas em apoio à aliança, às vésperas da definição sobre a entrada do partido na Federação Brasil da Esperança, que inclui PT, PV e PCdoB.
O abaixo-assinado já soma mais de 20 mil adesões. Assinam, entre outros, Erika Hilton e Luciene Cavalcante, deputadas federais; Ermínia Maricato, professora emérita da USP; Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação; e Gonçalo Vecina, ex-presidente da Anvisa. O grupo afirma que a federação permite coordenação maior das forças de esquerda.
Contexto da federação
Na justificativa, o manifesto afirma que a aliança facilita a atuação nas eleições e fortalece a presença parlamentar de esquerda, assegurando autonomia política. O texto cita exemplos internacionais de cooperação progressista para enfrentar a direita.
O PT já convidou o PSOL para integrar a federação, posicionamento que divide opiniões dentro do partido. Alguns membros, incluindo o grupo Revolução Solidária, defendem a aliança; outros, como Primavera Socialista e Movimento Esquerda Socialista, resistem.
Após o lançamento, cerca de 47 integrantes da ala de Boulos anunciaram a saída da corrente, alegando que a direção passou a priorizar a aproximação com o ex-deputado do PT para as eleições de 2030.
Reações internas e desdobramentos
Especialistas analisam cenários de coordenação ampliada caso a federação avance. O acadêmico Josué Medeiros, da UFRJ, vê potencial para respostas rápidas a crises e maior representação progressista no Legislativo.
Segundo Medeiros, a federação pode permitir primárias abertas entre os partidos, o que fortaleceria o processo de escolha de candidatos. O pesquisador também sugere regras para evitar a prevalência de uma sigla, como exigência de maioria qualificada para temas-chave.
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