Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teve dados de quebra de sigilo bancário e fiscal tornados públicos nesta semana pela imprensa, com confirmação de fontes próximas ao assunto. As informações apontam movimentações financeiras milionárias, envolvendo o próprio pai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a reativação de empresas durante o atual mandato.
Os registros, veiculados pelo Metrópoles e pelo O Globo e confirmados pela Gazeta do Povo, indicam cerca de R$ 19 milhões movimentados em uma única conta ao longo de quatro anos. Desse total, R$ 9,66 milhões são créditos, enquanto o restante foi transferido a terceiros, incluindo o empresário Kalil Bittar, hoje investigado pela Polícia Federal por possível lobby no Ministério da Educação.
A maior atividade ocorreu em 2024, com R$ 7,2 milhões na conta; em 2025, o montante caiu para R$ 3,3 milhões. Até 30 de janeiro de 2026, as operações somaram R$ 205,4 mil. Investigadores descrevem o perfil como financeiro, com créditos de empresas próprias, rendimentos de aplicações e repasses a pessoas físicas.
A apuração insere-se no contexto da chamada Farra do INSS, que investiga descontos indevidos em benefícios de aposentados. A PF analisa possível relação de Lulinha com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado entre os principais investigados.
Acesso aos documentos e atuação do STF
O ministro André Mendonça, do STF, autorizou a quebra dos sigilos de Lulinha em janeiro, e o caso ganhou desdobramentos quando o ministro Flávio Dino, também do STF, suspendeu a eficácia da decisão da CPMI que havia autorizado a quebra. Parlamentares da CPMI do INSS dizem que ainda não tiveram acesso aos documentos.
Especialistas apontam que as informações divulgadas pela imprensa podem ter vazado a partir da investigação da Polícia Federal, não da CPMI, conforme avaliação de alguns parlamentares. A defesa de Lulinha afirma que ainda não teve acesso aos documentos citados.
Reação da defesa e próximos passos
Em nota, a defesa sustenta que o vazamento de dados sigilosos é crime e será encaminhado às autoridades competentes. Segundo os advogados, não há acesso aos documentos recebidos pela CPMI nem aos alegados materiais na imprensa.
A defesa também afirma que as movimentações envolvendo o presidente Lula correspondem a adiantamentos de herança, reembolso de despesas ou operações empresariais regulares, sem relação com fraudes investigadas no âmbito da Farra do INSS.
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