O banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao extinto Banco Master, é alvo de investigações que hoje envolvem uma reunião com o presidente Lula no Planalto em dezembro de 2024. Registros de mensagens obtidos pela PF indicam que Vorcaro classificou o encontro como ótimo, em meio a crises de liquidez do banco.
A apuração aponta que o encontro ocorreu em meio às dificuldades financeiras do Master, com a participação de Guido Mantega, na época prestando consultoria, além dos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). A reunião não constou da agenda pública de Lula.
As mensagens trocadas com a then namorada de Vorcaro, a influenciadora Martha Graeff, revelam que o empresário manifestou entusiasmo ao final do encontro, afirmando que a reunião foi forte e que o presidente do Banco Central entraria na discussão. O registro, confirmado por fontes ligadas à investigação, ocorreu no dia 4 de dezembro de 2024.
Segundo a PF, o inquérito originalmente apurava fraudes envolvendo o Master e o BRB, mas passou a investigar também ameaças de terceiros, invasões de sistemas estatais e possível corrupção de servidores do BC. Vorcaro foi preso na quarta-feira, durante a terceira fase da operação Compliance Zero.
A defesa de Vorcaro nega irregularidades e pediu à PF informações sobre as datas das mensagens citadas na investigação. A Polícia Federal não confirmou detalhes adicionais sobre o conteúdo dos chats, mantidos sob acordo de sigilo policial.
Contexto financeiro e participação governamental
O Master enfrentava pressão de liquidez quando ocorreu o encontro, segundo apurações. Em Brasília, a presença de Mantega como intermediário é apontada como ponte entre o banco e autoridades, sem confirmação de apoio político.
Lula reconheceu, em entrevista recente, ter recebido Vorcaro no Planalto e destacou que o tema não envolvia favor político ao banco, mas sim uma avaliação técnica conduzida pelo Banco Central. O presidente ressaltou que a investigação técnica deve decidir sobre a regularidade do caso.
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