A comissão parlamentar que investiga o Crime Organizado registrou um pedido para criar uma nova CPI voltada às relações entre ministros do STF e o banco Master. O requerimento, apresentado pelo senador Alessandro Vieira, já reúne assinaturas suficientes para seguir na tramitação, dependendo da avaliação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Segundo Vieira, o objetivo é apurar relações pessoais, financeiras ou de outra natureza entre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e o grupo Vorcaro, ligado ao banco Master. O texto ressalta a importância de avaliar a imparcialidade no exercício da função pública, sem revisar decisões judiciais.
O requerimento foi protocolado na noite desta segunda-feira e já soma 35 assinaturas, oito acima do mínimo de 27 necessárias para leitura em plenário. Entre os signatários estão 11 senadores do PL, incluindo Flávio Bolsonaro, e seis do PP, cuja liderança também tem envolvimento com Vorcaro. MDB e PT não assinaram.
Diferentemente de CPIs anteriores contra ministros do STF, este pedido foca exclusivamente nas relações com Vorcaro e com o banco Master, sem alegar irregularidades em decisões judiciais. A justificativa é verificar se vínculos com investigados podem comprometer a neutralidade dos ministros.
A CPI proposta busca responder se Moraes e Toffoli mantiveram ligações com investigados, sócios e demais pessoas ligadas ao mesmo conglomerado ou a ele associadas, que possam afetar a imparcialidade do STF. O texto enfatiza que a gravidade envolve a credibilidade da instituição.
Entenda os casos
Caso Toffoli envolve a empresa Maridt, sócia do ministro no Resort Tayayá, que teve participação de 2020 em fundos ligados a Vorcaro. A empresa, administrada pela família de Toffoli, vendeu ações em 2021 e deixou de ser sócia em fevereiro de 2025, mantendo relação até então com o fundo envolvendo Vorcaro.
Caso Moraes envolve contratos entre o escritório de sua esposa, Barci de Moraes, e o Banco Master. Em fevereiro de 2024 a novembro de 2025 foram firmados contratos, cujo valor não foi divulgado. A família negou atuação direta no STF, e o caso é alvo de investigações paralelas.
Além disso, houve divulgação de mensagens supostamente trocadas entre Vorcaro e Moraes em novembro de 2025, antes de a prisão do banqueiro ocorrer pela primeira vez. O STF confirmou que houve contato, e a defesa afirmou que Moraes não recebeu mensagens. A polícia já utilizou perícia para analisar os dispositivos de Vorcaro.
O requerimento de Vieira sustenta que a CPI deve apurar se os ministros, ao atuarem em processos, mantiveram vínculos com investigados ou com pessoas ligadas aos mesmos átomos empresariais, o que poderia ferir a imparcialidade necessária à função pública.
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