O Ministério da Justiça enviou nesta terça-feira (10) um ofício ao TikTok com um prazo de cinco dias para que a plataforma se explique sobre a trend intitulada “se ela disser não”. A operação envolve a circulação de vídeos que simulam violência contra mulheres quando elas recusam pedidos de casamento ou namoro. A medida ocorre no âmbito de ações do governo federal para fiscalizar conteúdos nocivos.
O ofício sustenta que a obrigação da rede social vai além da remoção de conteúdos específicos solicitada pela Polícia Federal. A pasta afirma que o TikTok deve promover a remoção imediata de materiais, independentemente de pedidos formais, para evitar danos. A carta contesta falhas sistêmicas diante da disseminação dos vídeos.
Assinam o documento os secretários da Justiça: Direitos Digitais, Victor Fernandes; Segurança Pública, Francisco Veloso; e Consumidor, Osny Filho. O objetivo é reforçar responsabilidades das plataformas na curadoria de conteúdos que incentivem agressões.
Contexto da prática
A trend circula no TikTok com a frase treinando caso ela diga não e mostra homens simulando abordagens românticas seguidas de reações agressivas. Em muitos vídeos há socos simulados, lutas ou golpes, com Variações da legenda indicando o repúdio à rejeição.
O levantamento do g1 mostrou vinte vídeos entre 2023 e 2025, com perfis que vão de 883 a 177 mil seguidores e somam mais de 175 mil interações. Segundo o blog da jornalista Julia Duailibi, a Polícia Federal já derrubou perfis e abriu inquérito sobre os vídeos virais.
O tema ocorre em meio a um contexto de alta violência contra mulheres no país. O Brasil registrou recorde de feminicídios em 2025, com 1.470 mortes, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em 2024 foram 1.464 casos, mantendo o patamar histórico elevado.
O formato simples facilita a reprodução, com a mesma linha de saída em diferentes vídeos e variações mínimas na encenação. Embora tenha ganhado força novamente no fim de 2025, registros do tipo já aparecem na rede desde 2023.
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