O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido nesta quinta-feira (19) da Penitenciária Federal de Brasília para o prédio da Polícia Federal (PF) no centro da capital. A decisão da PF não o manteve na mesma cela onde esteve o ex-presidente Jair Bolsonaro, na Superintendência da PF em Brasília.
A transferência ocorreu após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a remoção do Executivo. Vorcaro chegou ao prédio da PF pouco depois das 19h, trazido por helicóptero da corporação. A defesa havia pedido a prisão domiciliar, pleito negado na ocasião.
A PF informou que Vorcaro ficará em dependências distintas das usadas para o ex-presidente Bolsonaro. Ainda não foram divulgadas as características da nova cela. Interlocutores da PF dizem que, por questões de tratamento, não caberia igual atuação dada a um ex-chefe de Estado.
Contexto do caso e possíveis desdobramentos
A apuração envolve suspeitas de crimes financeiros ligados ao Master, bem como pagamentos indevidos a agentes públicos e a formação de uma suposta milícia para monitorar autoridades e jornalistas. A defesa de Vorcaro já manifestou interesse em discutir um acordo de delação premiada.
O advogado de Vorcaro confirmou que houve contatos com a PF sobre eventual delação, sem comentar detalhes do caso. Em fevereiro, a Justiça já havia autorizado fases de movimentação do preso entre instituições, como parte do andamento do processo.
Vorcaro foi preso no início de março na terceira fase da Operação Compliance Zero. Em 6 de março, foi transferido do Complexo Penitenciário de Potim (SP) para a Penitenciária Federal de Brasília. Nesta semana, a nova defesa reuniu-se com Mendonça para tratar do tema.
A eventual colaboração pode trazer novos elementos para esclarecer as investigações em curso. A PF não divulgou informações adicionais até o momento, mantendo o sigilo sobre a operação e sobre a determinação de transferência.
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