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Turbulência na C.D.C. de RFK Jr. atrai atenção pública

Kennedy propõe mover grande parte da CDC para nova Administração, elevando riscos de enfraquecimento de programas de vacinação e vigilância epidemiológica

Daniel Jernigan, former center director, infectious diseases
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Ontem, o governo de Donald Trump anunciou a nomeação de Robert F. Kennedy Jr. para chefiar o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS). Kennedy ficou conhecido por divulgar desinformação sobre vacinas por meio da Children’s Health Defense e do movimento MAHA. O anúncio ocorreu após ele encerrar a própria candidatura presidencial.

Desde a confirmação em fevereiro de 2025, Kennedy tem criticado fortemente o Centers for Disease Control and Prevention (C.D.C.), órgão federal responsável pela saúde pública. Ele chamou a agência de “a mais corrupta do HHS, talvez do governo”, e apoiou demissões em massa promovidas pela DOGE de Elon Musk. Entre janeiro de 2025 e agora, cerca de 2.400 servidores deixaram o C.D.C. ou foram desligados.

Kennedy defende reduzir o tamanho do C.D.C. para criar uma nova entidade chamada Administração para uma América Saudável (Administration for a Healthy America), mantendo o C.D.C. apenas com foco no monitoramento de doenças infecciosas. Críticos veem na proposta uma reorientação para enfraquecer programas de vacinação em que a agência tem papel central.

Situação atual e críticas

Entrevistas com mais de 40 funcionários ou ex-funcionários do C.D.C. mostram avaliação ambivalente. Reconhecem falhas iniciais na resposta à Covid-19, como testes diagnósticos inadequados e mensagens contraditórias, mas ressaltam avanços recentes. Alega-se que especialistas estão sendo marginalizados pela influência de indicados políticos.

No mês de junho, Kennedy demitiu todos os 17 membros votantes do ACIP, grupo que orienta recomendações de vacinas. A ideia é substituir esses integrantes por pessoas alinhadas às suas posições. A ex-diretora Susan Monarez afirma ter sido demitida por recusar alterações sem evidência científica; Kennedy nega as acusações.

Reações oficiais e próximos passos

O HHS não disponibilizou Kennedy para entrevistas. Em nota, Andrew Nixon afirmou que, em menos de um ano, o secretário restabeleceu o C.D.C.’s foco na luta contra doenças infecciosas e substituiu lideranças resistentes à reforma. Do White House, o porta-voz Kush Desai enfatizou que a gestão busca devolver a confiança pública por meio de ciência comprovada.

Funcionários e fontes anônimas temem pela perda de décadas de know-how técnico, argumentando que isso pode deixar o país mais vulnerável a ameaças sanitárias. A narrativa em Washington gira em torno de reformas profundas versus preservação de programas de vacinação sob supervisão do C.D.C.

Contexto e repercussões

A tensão envolve uma disputa entre foco técnico do C.D.C. e uma visão de reorganizar a saúde pública com base em decisões políticas. A administração afirma buscar padrões científicos estáveis para orientar políticas. Críticos alertam que mudanças estruturais podem reduzir a cooperação interna e a continuidade de estratégias de vigilância.

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