O primeiro veto de Viktor Orbán ao empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia tornou-se o desafio mais direto a António Costa desde que assumiu a presidência do Conselho Europeu. O veto ocorreu nos momentos finais do processo de aprovação.
Costa acusa o bloqueio de ser inaceitável e afirma que ele compromete a coesão entre os 27, além de questionar a credibilidade da presidência do Conselho. O tom do presidente português tem sido firme, mas sem abrir mão do papel de mediador.
O veto surgiu após a discussão de dezembro, quando Orbán concordou com o empréstimo desde que a Hungria fique completamente livre da dívida comum. Slovaça e República Tcheca obtiveram opt-out semelhante.
No desenrolar, Orbán passou a exigir, de forma adicional, a retomada total dos fluxos de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba. Ucrânia aponta danos significativos e prevê até 45 dias para reparos.
Costa e outros líderes reagiram, defendendo o princípio de cooperação sincera que embasa as decisões coletivas. A visão era manter o acordo de dezembro, mesmo diante do veto húngaro.
Especialistas indicam que o veto pode colocar em xeque a validade das conclusões do Conselho e a capacidade de Costa de manter a coesão entre os líderes. Diplomatas descrevem o momento como um ponto de inflexão institucional.
Desdobramentos
Após o veto, Costa e Ursula von der Leyen buscaram caminhos alternativos, incluindo uma inspeção externa para acompanhar o reparo do Druzhba e financiar a reconstrução. A proposta visava facilitar o envio de ajuda à Ucrânia sem violar o acordo.
No entanto, Orbán rejeitou a inspeção externa e manteve a posição de bloquear o empréstimo. A situação levou a uma tensão contínua entre Budapeste e os demais capitais, com consequências para a política de apoio a Kiev.
Bruxelas reconhece a urgência de resolver a impasse sem criar precedentes que comprometam a tomada de decisões futuras. Mesmo com resistências, a coalizão busca manter o rastro de cooperação entre as nações membros.
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