A campanha global liderada pela Norwegian Consumer Council (NCC) ganha destaque após a divulgação de um vídeo viral que denuncia a suposta “enshitificação” de plataformas digitais. O material mostra um indivíduo autodeclarado “profissional enshitificador” inserindo pop-ups, programando intervalos de anúncio em vídeos do YouTube e promovendo atualizações disruptivas em smartphones. A peça faz parte de um movimento que alerta para a degradação da qualidade em serviços antes mais acessíveis.
Mais de 70 organizações de defesa dos direitos dos consumidores, com atuação nos Estados Unidos, União Europeia e Noruega, assinam cartas direcionadas a políticos em mais de 14 países. O objetivo é cobrar regras mais firmes contra a prática de enshitificação. Em uma correspondência datada de fevereiro, a NCC afirma que é necessário reequilibrar o poder entre consumidores, Big Tech e provedores alternativos.
Definido pela NCC, o termo descreve a progressiva transformação de plataformas em ambientes menos amigáveis, com cobrança por recursos antes gratuitos. A entidade aponta casos como o feed do Facebook, que passaria a privilegiar conteúdo promovido e publicidade. Especialistas ouvidos pela organização destacam que a prática facilita monetização, reduzindo a qualidade do serviço.
O que é enshitificação?
O conceito, cunhado pelo jornalista Cory Doctorow em 2023, envolve abusos graduais das plataformas para beneficiar clientes comerciais, empurrando custos para usuários e parceiros. A NCC ressalta que a pressão pela monetização pode levar à piora do serviço sempre que a competição diminui. Fontes destacam que nem toda mudança é intencional, mas o resultado pode ser a perda de qualidade.
Medidas regulatórias e próximos passos
Diante do cenário, a NCC cita a atuação de instrumentos europeus como a Digital Markets Act (DMA) e a Digital Services Act (DSA) como mecanismos de maior competição e responsabilização. A expectativa é que novas leis, como o Digital Fairness Act, tragam proteções contra mecanismos de design enganosos e dependência de plataformas. A organização afirma que a aplicação de multas pode ter efeito dissuasor significativo. Até o momento, não houve retorno imediato de autoridades europeias sobre a campanha.
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