O cenário político brasileiro continua marcado pela polarização, segundo o jornalista e cientista de dados Sergio Denicoli, CEO da AP Exata. Ele afirma que as redes sociais consolidaram blocos rivais, dificultando o alcance de mensagens de candidatos moderados.
Denicoli revela que, desde 2018 e especialmente após as eleições de 2022, as plataformas digitais passaram a acomodar dois grandes blocos, reduzindo o espaço para debates relevantes. A consequência, diz ele, é um clima de insatisfação entre parcela expressiva da população.
Para o centro político, o momento é de vazio de liderança clara. Denicoli cita o pré-candidato Ronaldo Caiado, do PSD, como exemplo de figura que não assume o papel de representante do centro, por estar alinhado com correntes da direita.
Mudanças no uso das redes e surgimento de outsiders
Entre os nomes que destoam do eixo tradicional, Denicoli aponta candidatos outsiders que ganham visibilidade. Renan Santos, pré-candidato pelo Movimento Missão, e um líder do MBL recebem atenção considerável, mesmo sem espaço nos palcos institucionais habituais.
Segundo o pesquisador, Renan Santos consegue captar cerca de 10% do que circula nas discussões públicas, o que demonstra atrativo entre eleitores que buscam propostas alternativas. No entanto, o diálogo com moderados enfrenta resistência e bloqueios digitais.
Denicoli afirma que, sem mudanças na forma como as mensagens políticas rompem as bolhas das redes, o país pode permanecer repetindo o ciclo de eleger o menos pior, sem novidades significativas.
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