A CPI do Crime Organizado do Senado pretende prorrogar seus trabalhos por mais 60 dias, buscando avançar nas investigações sobre o esquema de fraude financeira envolvendo o Banco Master. O prazo atual é até 14 de abril.
O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), avalia o pedido de extensão e deve buscar o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A articulação ocorre em meio a disputas com o STF sobre depoentes e sigilos.
A comissão tem atuado para contornar decisões do STF que já impediram a oitiva de testemunhas e inviabilizaram quebras de sigilo previamente aprovadas. Mesmo assim, há contratempos que atrasam os trabalhos.
Avanços e entraves
Na última reunião, realizada na terça (31), a CPI aprovou novamente a convocação de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, que conseguiu habeas corpus para não comparecer. O objetivo é ouvi-lo sobre fiscalização no caso Master.
Também foi aprovada a continuidade das quebras de sigilo de empresas associadas a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e de Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro. Os pedidos foram votados de forma nominal para registrar os votos.
A Justiça tem sido acionada para evitar questionamentos sobre as votações. O ministro Flávio Dino, do STF, invalidou uma votação simbólica realizada pela CPMI do INSS, o que levou a CPI a adotar novas medidas de fundamentação.
O presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), orientou que novos pedidos de sigilo sejam baseados em fundamentação detalhada. A decisão do STF de endurecer critérios para o envio de sigilo pelo Coaf também impacta as próximas diligências.
Próximas oitivas
A próxima semana traz novas orelhas para o roteiro da CPI. Em comoção ainda não confirmada, Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, deve ser ouvido, assim como Gabriel Galípolo, atual presidente do BC, que sinalizou a possibilidade de comparecer.
A expectativa é manter o formato de votações formais e registradas, com foco em esclarecer o papel do BRB nas operações envolvendo o Master. A comissão pretende apurar responsabilidades ligadas ao signatário do caso.
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