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Lula é acusado de exagerar ao comparar reforma agrária entre governos

Dados do Incra mostram que, apesar do discurso de Lula, FHC desapropriou mais terras que todos os governos do PT, com queda nas gestões petistas e uso de compra e regularização

FHC desapropriou mais que o dobro de terras do que todos os governos do PT
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na quinta-feira (2 de abril de 2026), que o PT lidera a política de reforma agrária no Brasil. A fala foi acompanhada de dados que contrariam a percepção de evolução dos investimentos em desapropriação de terras.

Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), pelo projeto Fiquem Sabendo, indicam que a desapropriação — principal ferramenta da reforma agrária — perdeu força nos últimos anos, inclusive durante governos petistas. Nos dois primeiros anos do terceiro mandato de Lula, nenhum hectare foi desapropriado.

Historicamente, o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995–2002) mais avançou com desapropriações, acumulando cerca de 10,28 milhões de hectares. Em contraste, o total desapropriado durante os mandatos petistas é de aproximadamente 4,72 milhões de hectares, conforme os dados consolidados até 2016.

Desde o segundo mandato de FHC, a reforma agrária entrou em desaceleração, chegando a zero durante o governo de Jair Bolsonaro. O retorno ocorreu em 2025, com a desapropriação de 13,3 mil hectares.

Mudanças de abordagem sob Lula

O governo Lula 3 passou a priorizar mecanismos alternativos para obtenção de terras, como compra, doação e regularização fundiária. Entre 2023 e 2026, essas vias renderam aproximadamente 578 mil hectares, com a maior parte vindo de compras de terras e as desapropriações representando parcela menor.

O Planalto também alterou a maneira de apresentar resultados, destacando o total de famílias atendidas por políticas fundiárias, em vez de apenas hectares desapropriados.

Em janeiro de 2026, o governo anunciou um pacote de 2,7 bilhões de reais para ações de reforma agrária, incluindo compra de fazendas, crédito, habitação e apoio à produção em assentamentos. As medidas visam regularizar 32,3 mil hectares e criar novos assentamentos dentro do programa Terra da Gente.

Paulo Teixeira, à época ministro do Desenvolvimento Agrário, afirmou que 2026 deve registrar a maior entrega de ações do atual mandato, com ampliação de assentamentos e desapropriações. O Poder360 solicitou posicionamento do ministério; ainda não houve resposta até a publicação.

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