O Acampamento Terra Livre (ATL) 2026 terá sua 22ª edição em Brasília, reunindo entre 7 mil e 8 mil participantes, entre indígenas e aliados. O evento ocorre no Eixo Cultural Ibero-Americano, de 5 a 11 de abril, organizado pela Apib. O objetivo é defender territórios e denunciar violações de direitos, com pautas ampliadas para saúde, educação e participação política indígena.
A jornada de mobilização marca o início do Abril Indígena, mês de ações em todo o país. A pauta central continua a defesa da demarcação de terras, incluindo a necessidade de homologação de novas áreas. Os organizadores apontam avanços recentes, como a criação de 20 novos territórios entre 2023 e 2025, totalizando cerca de 2,5 milhões de hectares.
A associação aponta ainda um passivo de demarcação alto e violência territorial. Entre os temas que ganham destaque estão o marco temporal e propostas que impactam a mineração em terras indígenas. A programação prevê caminhadas pela Esplanada dos Ministérios e debates sobre educação, saúde e políticas públicas dos povos originários.
Participação e agenda
Cotinha de Sousa Guajajara deixou a Terra Indígena Morro Branco (MA) com 67 integrantes para chegar a Brasília. O grupo percorreu cerca de 1,4 mil quilômetros a bordo de dois ônibus. Cotinha está no acampamento para apoiar a exposição de artesanato e fortalecer a presença Guajajara.
O Coral Ticuna, representado por Oziel Ticuna, também participa, morando em Brasília desde janeiro para estudar. Oziel comenta a importância do ATL na construção de soluções coletivas e na proteção de culturas tradicionais. Ele reforça o papel do acampamento na organização comunitária.
Perspectivas e desdobramentos
A agenda deste ano inclui debates sobre políticas públicas, participação eleitoral indígena e relações internacionais com povos de outras nações. Uma das mesas previstas aborda a campanha indígena voltada a candidaturas aliadas aos direitos dos povos originários, com ações ao longo do ano para ampliar a representação parlamentares.
A primeira mobilização está marcada para terça-feira (7), com apresentações e atos previstos contra propostas de lei que limitariam direitos territoriais e usados como instrumento de pressão políticos. A programação também ressalta a necessidade de ampliar áreas de proteção já homologadas e ampliar investimentos em saúde e educação das comunidades.
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