O Ministério Público Federal investiga denúncias contra a AdviceHealth, empresa que atua na auditoria médica de planos de saúde. A apuração envolve alegações de uso de sistemas automáticos e de profissionais sem formação médica na emissão de pareceres sobre autorizações de exames e cirurgias.
Relatos de ex-funcionários e de pacientes apontam que avaliações seriam automatizadas e que profissionais sem habilitação teriam emitido laudos. Um caso envolve o médico Marcos Serra, que recebeu cobrança do plano após uma cirurgia de urgência para hérnia de disco. A operadora afirma que a técnica não estava autorizada pela ANS.
Yasmin relata situação parecida. Com problemas renais, deveria fazer diálise, mas não teve autorização do convênio para o tratamento. Ela afirma que fez internação hospitalar e viveu a dificuldade de ter procedimentos negados ou substituídos. Critérios de autorização têm sido questionados por especialistas.
Investigação em andamento
O MPF informou que pediu informações à ANS e ao Conselho Federal de Medicina para dar andamento ao caso. A denúncia, apresentada pela Aliança Nacional em Defesa da Ética em Saúde Suplementar, tem 71 páginas descrevendo rotinas da AdviceHealth.
Entre as denúncias, consta que uma assistente de custos, sem vínculo com enfermagem ou medicina, deveria analisar 222 processos em quatro dias. O documento ressalta a gravidade das falhas no atendimento a pacientes com câncer ou que precisam de próteses específicas.
A partir das denúncias, a Justiça já atendeu parcialmente uma demanda envolvendo Yasmin, resultando em decisão favorável ao plano de saúde após um ano. A AdviceHealth afirma que todos os pareceres são emitidos por médicos especializados, com avaliação individualizada.
O Conselho Federal de Medicina confirmou conhecimento das denúncias, ressaltando que a apuração cabe aos conselhos regionais. O CRM de Santa Catarina informou que investiga uma denúncia relacionada à empresa, sem divulgar andamento. Outros regionais também mencionam dificuldades de confirmação pública.
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