Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, afirmou em junho de 2024 que o acesso ao Judiciário é “muito bem formatado”. A declaração foi gravada para a série Grandes Temas, Grandes Nomes do Direito, da TV Conjur, e publicada no YouTube em 21 de junho.
Ele mencionou a Suprema Corte como instituição criada para defender leis e a Constituição, ressaltando mecanismos de controle existentes no Judiciário. Também elogiou o sistema financeiro brasileiro e o Banco Central, considerado avançado mundialmente.
A gravação ocorreu no âmbito de um vídeo patrocinado pelo escritório de Walfrido Warde, com participação de Vorcaro e Lopes de pauta jurídica. O Patrocinador aparece ao fundo durante o material.
Londres: fórum, discursos e degustação
Vorcaro viajou a Londres para o Fórum Jurídico Brasil de Ideias, organizado pelo Grupo Voto, de 24 a 26 de abril de 2024. Segundo mensagens interceptadas pela PF, ele informou à namorada Martha Graeff sobre discursos diante de ministros do STF e do STJ.
No George Club, houve degustação de whisky Macallan, que reuniu cerca de 40 convidados, incluindo ministros do STF, o diretor-geral da PF e o presidente da Câmara. O custo da degustação ficou em US$ 640,8 mil, cerca de R$ 3,2 milhões na época.
Ao final do evento, todos os presentes teriam recebido uma garrafa de Macallan como presente. Entre os presentes estavam Alexandre de Moraes, Andrei Rodrigues e Dias Toffoli, além de representantes de órgãos ligados ao Master.
Contornos do caso e sigilo
Em março de 2026, Vorcaro firmou acordo de confidencialidade com a PF e a PGR, etapa inicial para uma delação premiada. Ele é alvo de investigações por fraudes contra o sistema financeiro e permanece preso na Superintendência da PF em Brasília.
A relação do empresário com autoridades envolve contratos com familiares de ministros. Em 2025, Moraes negou ter recebido mensagens associadas a Vorcaro, que também envolve advogados e servidores públicos vinculados ao Master.
Desdobramentos e vínculos
Outros nomes citados atuaram na relação entre Vorcaro e o Judiciário, como Dias Toffoli, que integrava a relatoria de casos ligados ao Master até 2026. O ministro André Mendonça assumiu a relatoria após Toffoli, com decisões que já foram alvo de críticas e investigações.
Informações sobre a atuação de Lewandowski indicam consultoria jurídica ao Master após sua saída do STF, com contratos envolvendo o escritório de advocacia do ex-ministro. Os valores e períodos são objeto de apuração por autoridades competentes.
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