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Relator da CPI do Crime Organizado pede intervenção federal no RJ

Relator da CPI recomenda intervenção federal no Rio de Janeiro e criação do Ministério da Segurança Pública, citando crise estrutural e falhas passadas

Senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) durante entrevista ao Poder360
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O relatório final da CPI do Crime Organizado, elaborado pelo senador Alessandro Vieira, recomenda intervenção federal no Rio de Janeiro e a criação do Ministério da Segurança Pública. O documento classifica a crise no estado como estrutural e aponta fatores criminalidade organizada com atuação de facções, milícias e narcomilícias.

Segundo o relatório, o Rio apresenta condições únicas para o país, com disputas entre facções como Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro, além de milícias armadas. A atuação conjunta dessas organizações, afirma o texto, compromete a soberania do Estado sobre parte do território e a condução de políticas públicas.

O texto enfatiza que iniciativas estaduais anteriores, como UPPs e o programa Cidade Integrada, não se sustentaram diante da infiltração do crime organizado. A conclusão é de que há fragilidade institucional para manter políticas de segurança por longos períodos.

Intervenção Federal no Rio de Janeiro

O relator sustenta que o cenário se enquadra no Artigo 34 da Constituição, que permite intervenção federal em casos de grave comprometimento da ordem pública. O relatório cita a experiência de 2018, durante o governo de Michel Temer, como insuficiente para mudanças estruturais e reforça a necessidade de um modelo mais amplo e duradouro.

A proposta de intervenção prevê comando unificado das forças de segurança, atuação integrada com órgãos federais, foco no combate financeiro às organizações criminosas e monitoramento prolongado por órgãos de controle. O uso subsidiário das Forças Armadas também é considerado.

Ministério da Segurança Pública

Outra linha central é a recomendação de recriar um Ministério da Segurança Pública, com atuação exclusiva e ministros especializados. O relatório afirma que a estrutura atual, vinculada ao Ministério da Justiça, não basta para lidar com a complexidade do tema.

A análise cita a experiência de 2018, quando houve criação temporária do ministério e queda nos índices de homicídios. Embora sem relação causal direta, o documento sugere que a existência de um órgão específico para segurança pode contribuir para políticas mais efetivas.

O relatório também aponta que, em 2017, o Brasil registrou 64.079 homicídios, crescimento histórico, e que 2018 conferiu uma redução incidente. O texto associa esse decréscimo à configuração de um Ministério com foco exclusivo, defendendo modelo semelhante como resposta ao crime organizado.

A leitura do senador Vieira indica que o enfrentamento ao crime organizado exige coordenação nacional, integração entre entes federativos e atuação em áreas policial, social e econômica, com maior foco institucional para a segurança pública.

Observa-se, ainda, que o presidente Lula já sinalizou apoio à criação do Ministério da Segurança Pública, citando avanços após a aprovação de proposta de emenda constitucional relacionada ao tema.

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